sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Leitura de Jornal

Europa vive o pior momento desde 1945, afirma Merkel

Em discurso sobre a crise europeia, a chanceler alemã, Angela Merkel, enfatizou que cada geração tem seu desafio político

"A Europa vive um dos piores momentos desde Segunda Guerra Mundial, talvez o pior momento", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, em um discurso nesta segunda-feira (14) em Leipzig, na Alemanha, para quase mil militantes no congresso de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU).

"Cada geração tem seu desafio político", completou a chefe de Governo, que lembrou que a geração do chanceler do pós-guerra Konrad Adenauer (1949-63) construiu a Europa; e que a de Helmut Kohl (1982-98), a unidade alemã e europeia.

"A atual geração enfrenta um teste histórico com esta crise financeira", acrescentou Merkel em um discurso dedicado em boa parte à Europa.

Merkel, que tem um papel-chave na gestão da crise na Eurozona, insistiu no fato de que "chegou o momento de um novo passo para uma nova Europa".

"Se o euro fracassar, a Europa vai fracassar", advertiu a chanceler.

"A Eurozona é muito mais do que uma moeda, é um símbolo de meio século de paz, liberdade e bem-estar social", destacou a líder da CDU há 11 anos e chefe de Governo desde 2005, antes de recordar que "se a Europa vai mal, a Alemanha vai mal".

"Precisamos da Europa para que a Alemanha fique bem", disse, referindo-se à importância da União Europeia para o comércio exterior do país, já que 60% das exportações alemãs ficam nos 27 países membros da UE.

"Nove milhões de empregos dependem diretamente destas exportações", disse.

Ao exigir reformas na Europa, como já fez aos sócios europeus, lembrou que as reformas devem ser traduzidas em mais Europa, e não o contrário.

"Fazemos parte de uma política interna europeia. Se a Alemanha está disposta a ajudar os países em dificuldade, também espera que façam seus deveres, saneando as finanças públicas", concluiu.


A carroça vai virar
Gilles Lapouge

“As pessoas nos garantem que a União Europeia conta com 27 membros. Claro que isso não é verdade. Na verdade, a União Europeia tem dois membros: Nicolas Sarkozy e Angela Merkel. Um francês e uma alemã. Em todas as reuniões de cúpula vemos apenas esses dois: uma gorda senhora loura e um senhor baixinho, moreno e cheio de tiques, andando apressados pelos corredores lado a lado, cabisbaixos, resmungando, afagando, distribuindo os golpes costumeiros contra um terceiro.

Em Cannes, o 'duo infernal' se superou. Sarkozy e Merkel convocaram o grego George Papandreou. E o fizeram aguardar duas horas na sala de espera, para depois repreendê-lo, humilhá-lo, trucidá-lo e ditar para ele a pergunta que deveria apresentar aos gregos em um referendo. (E deu certo: já não se fala mais em consulta popular). Em seguida, a dupla terrível convocou um outro 'caso sério', o aluno Berlusconi. É preciso dizer que esse aluno travesso é incorrigível: além de ficar de olho nas meninas durante o recreio, ele nunca faz os deveres de casa e mente como um demônio. 

Há poucos dias prometeu aos dois 'professores' um projeto de reformas. Ora, ao examinar sua carteira, foi verificado que não havia o mínimo projeto. Sarkozy ficou contrariado. Le Figaro, o jornal predileto do presidente francês, resumiu a cena. ‘O Eliseu colocou Berlusconi diante da alternativa: ou votar as reformas ou deixar o governo’ . Imagine! E a soberania do país? E os outros chefes europeus? O que fazem? Nenhuma palavra.

Sem dúvida eles sonham. Ou também têm medo de ser liquidados e vão fumar um cigarro no banheiro. Onde está o eslovaco? E o sueco? E o português? Esse confisco da Europa pelos dois países é incompreensível. Vai na contracorrente dos objetivos que a Europa fixou quando começou sua aventura há 60 anos. O Velho Continente estava farto da diplomacia do 'diktat', da força, os pequenos países sendo obrigados a se submeter a condições e restrições por vezes humilhantes, impostas pelos grandes, ou a aceitar um protetorado. Esta era a bela ambição dos países da Europa, em 1950. Ora, a cúpula do G-20 em Cannes mostra que, depois de 60 anos,a velha Europa continua existindo com a mesma arrogância dos fortes e o mesmo servilismo dos fracos.

Os médicos não estão inativos. Às centenas, eles se curvam sobre o leito onde definha  docemente a Europa. Um dos seus veredictos é este: a zona do euro não progride porque não existe uma 'autoridade supranacional'  para harmonizar as ações dos 27 membros da UE. A única salvação da UE é transformar o caos atual numa federação.Exato! É impossível fazer caminhar no mesmo passo 27 países heterogêneos e no entanto soberanos. É como se fizéssemos  puxar uma carroça ao mesmo tempo por um boi, uma raposa, um mosquito, um tigre e um pinguim. Seria de espantar se ela não tombasse na primeira curva.

Eis porque os homens muito sábios, responsáveis, propõem que a União Europeia se converta numa federação, ou confederação. Mas o espetáculo que os europeus ofereceram durante a cúpula do G-20 cobre de ridículo um tal projeto. Está claro que os países da Europa recusam ceder a menor parcela da sua soberania em benefício de um organismo supranacional. 

A maneira como os dois maiores países europeus – Alemanha e França – torceram o braço dos pequenos recalcitrantes e reduziram a nada seus 25 colegas,mostra com brilho e cinismo o que muitos observadores sabem há muito tempo: o continente dos ‘Estados nacionais’, das antigas monarquias, dos nacionalismos, egoísmos  e da brutalidade diplomática é incapaz de esquecer seus hábitos infames.

É verdade que a construção europeia é jovem. Começou há apenas 60 anos. No seu milésimo aniversário, talvez...

O voto hispânico pode decidir eleição nos EUA
Rodrigo Lopes, ZH, 13 de novembro de 2011

A um ano das eleições nos EUA, um grupo de americanos permanece leal ao presidente Barack Obama: os hispânicos.

Em 2008, 6,6 milhões de eleitores que voltaram naquele pleito eram de origem latina - dois terços deles, escolheram o demcorata. Em novembro de 2012, os hispânicos serão 12,2 milhões nos EUA - um contingente indispensável a Obama para recuperar o terreno perdido em popularidade nos turbulentos quatro anos de governo.

No confronto direto com os republicanos, ele tem larga vantagem entre os hispânicos: 66% contra 22%, se comparado o galanteador Herman Cain; 67% contra 24% do belicoso Mitt Romney; e 68% frente ao atrapalhado Rick Perry, que tem 21%, segundo pesquisa publicada na quinta-feira pela cadeia de TV Univisión e Latino Decisions.

Nem o bicho-papão da eleição, a crise econômica, consegue desbancar Obama da preferência entre os hispânicos: 66% deles aprovam o democrata.

Os dados da pesquisa mostram ainda que 67% culpam o ex-presidente George W. Bush pela situação financeira atual. Embora a questão da imigração tenha passado para segundo plano, ela seguirá sendo fator decisivo: 54% dos entrevistados disseram que estariam menos dispostos a votar em um candidato que admiram no plano econômico, mas que considera os imigrantes uma ameaça para os EUA.



Entrevista: Aécio Neves: "Coalizão não precisa ser sinônimo de corrupção"
Fabiano Costa, Zero Hora, 11 de novembro de 2011


Foto: Wilson Dias, ABR, Divulgação, BD, 8/06/2011
 
BRASÍLIA - Considerado o trunfo da oposição para tentar romper a hegemonia do PT no cenário nacional, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tenta assumir o comando de uma frente sem foco e enfraquecida.

Após circular ao longo de 10 meses com pouco brilho no Senado, o tucano substituiu as frases conciliadoras por um discurso contundente contra o governo federal.

Afirmando que "o ciclo do PT vai se exaurir", ele dá nota zero para a condução ética no governo Dilma Rousseff. Aécio, porém, não se limita ao embate com o Planalto. Luta também para marcar espaço dentro de sua legenda. Se esforça para escantear as pretensões do ex-governador José Serra (PSDB-SP) de disputar pela terceira vez a Presidência.

Na véspera de desembarcar no Rio Grande do Sul para emprestar seu prestígio ao PSDB gaúcho, Aécio conversou com Zero Hora ontem em Brasília. O senador chega hoje a Porto Alegre. Ao meio-dia, participa de almoço com correligionários no Clube do Comércio e, à noite, vai a Gramado para palestrar em um congresso de dirigentes lojistas.

Zero Hora – O senhor está pronto para se tornar o líder da oposição e candidato à Presidência em 2014?

Aécio – Ninguém se autoproclama líder. Meu avô (Tancredo Neves) ensinava que Presidência é destino, não depende de projeto pessoal. Sei do meu papel neste processo e vou cumprir com minhas responsabilidades. Durante os oito anos em que estive à frente do governo mineiro, mostrei que política e ética não são incompatíveis. Coalizão não precisa ser sinônimo de corrupção e aparelhamento da máquina pública.

ZH – Mas o senhor pretende lutar para ser candidato ao Planalto?

Aécio – Se couber a mim essa responsabilidade, estarei pronto. O candidato do PSDB em 2014 não será o que mais quiser, e sim aquele que, com mais naturalidade, encarnar e expressar o sentimento da sociedade, que está cansada do atual modelo. Em algum momento, esse ciclo do PT vai se exaurir. O que move os petistas é a manutenção do poder.

ZH – Quem o senhor prefere enfrentar nas urnas em 2014: Lula ou Dilma?

Aécio – Não me dou ao luxo de escolher adversários. Se eu for o candidato do PSDB, estarei pronto, independentemente do adversário. Qualquer uma dessas candidaturas representa o mesmo modelo. No entanto, considero improvável que Dilma não dispute a reeleição. Essa abdicação seria um atestado de fracasso.

ZH – A aproximação entre Fernando Henrique e Dilma pode causar prejuízos políticos ao PSDB?

Aécio – Ao contrário. Eu aplaudo essa relação republicana. As pessoas não precisam ser inimigas porque estão em lados políticos opostos. Não vejo somente defeitos nos meus adversários, assim como não acredito que todos os meus companheiros têm virtudes. Sempre mantive uma relação republicana com Lula, a exemplo da que mantenho com Dilma. Mas isso não elimina minha responsabilidade de apontar os equívocos do atual governo.

ZH – Como o senhor encara as críticas de que estaria apagado no Congresso?

Aécio – A oposição no Senado tem dificuldade para somar 15 votos entre os 81 senadores. O meu esforço agora é para reestruturar o partido e dar visibilidade às nossas propostas. Só existe governo forte com uma oposição forte. Quero ajudar o PSDB a reunir ideias e se reorganizar nos Estados nos quais estamos fragilizados. Até as eleições municipais do ano que vem, temos de definir quais são nossas principais bandeiras e fazer o contraponto ao governo federal.

ZH – O governo perdeu cinco ministros por suspeitas de corrupção, mas continua com uma alta aprovação. Isso é consequência do bom momento econômico do país ou da fragilidade da oposição?

Aécio – Ninguém apoia um presidente por deixar de gostar da oposição. Do ponto de vista econômico, há uma sequência de êxitos que se iniciam lá no Plano Real. Não acho que o governo do PT só tenha falhas. Porém, eles perderam o melhor momento da economia e da política brasileira para fazer reformas para o país poder crescer por muito tempo, de maneira sólida.

ZH – Que nota o senhor daria para o governo Dilma?

Aécio – Na questão ética, zero. Na seara econômica, seis. Fica uma média três. Os malfeitos para o governo do PT só viram tal quando se tornam escândalos. O Planalto só reage de forma reativa. Nenhuma das denúncias que levaram à queda de ministros partiu de dentro do governo.

ZH – A doença de Lula pode blindar o Planalto?

Aécio – Não posso fazer essa relação. Desejo que o ex-presidente se recupere o mais rápido possível. É importante saber separar as questões pessoais, e a saúde em especial, das questões políticas. Qualquer pessoa que fizer previsões de cenários futuros a partir da doença de Lula age de forma equivocada.

ZH – Qual sua opinião sobre a onda de agressões na internet ao ex-presidente logo após ele revelar que estava com câncer?

Aécio – Talvez eu tenha sido uma das primeiras pessoas a se manifestar publicamente condenando esse comportamento. O drama de saúde de Lula afeta sua família, seus amigos e todo o Brasil.

ZH – A conturbada gestão da ex-governadora Yeda Crusius desgastou a imagem do PSDB no Rio Grande do Sul?

Aécio – Do ponto de vista administrativo e gerencial, o governo Yeda obteve muito sucesso. Mas houve um combate político muito forte que atingiu o partido. O resultado da última eleição estadual mostrou isso. O PSDB, não só no Rio Grande do Sul, precisa voltar a falar para a sociedade, para os eleitores que estão desencantados com a política. O PSDB tem de renovar seu discurso e sua cara.

ZH – O partido vai ter candidato próprio na eleição para prefeito em Porto Alegre?

Aécio – Pessoalmente, defendo que temos de ter candidatura própria nos municípios nos quais houver possibilidade de divulgar nossas propostas e projetos. É um espaço para marcar o contraponto ao governo federal.

ZH – Sua fama de galã e namorador o incomoda?

Aécio – Pelo contrário. Sou um homem do meu tempo, com minhas virtudes e meus defeitos. Não que eu considere essas características um defeito, mas o homem público tem de ser julgado é por suas ações na vida pública.

ZH – Em abril, o senhor se recusou a fazer o teste do bafômetro em uma blitz no Rio. O senhor é a favor da lei aprovada na última quarta-feira no Senado que tornou crime dirigir após ingerir qualquer quantidade de álcool?

Aécio – A medida é extremamente correta e foi aprovada com o meu voto.

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