segunda-feira, 12 de março de 2012

Leitura de Jornal

RÚSSIA REBELDE
Sob pressão das ruas, Putin admite fraudes

Em paralelo à convocação de novas manifestações pela oposição, o presidente eleito da Rússia, Vladimir Putin, admitiu ontem a existência de fraudes nas eleições de domingo e prometeu investigar as irregularidades.
– É claro que houve violações. Precisamos identificá-las, investigá- las, e deixar tudo às claras – afirmou Putin em entrevista à agência de notícias RIA Novosti. 

Em uma reunião com advogados no Fórum de Moscou, Putin afirmou que está contando com“o máximo controle e acompanhamento da situação”. ONGS russas e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa apontaram irregularidades na votação de domingo. O segundo colocado, Gennady Zyuganov, recusa- se a aceitar o resultado da votação – ele recebeu 18% dos votos, contra os 63% de Putin.

Os líderes das manifestações contra a eleição do atual primeiro-ministro planejam organizar no sábado uma nova passeata em Moscou – o ápice do protesto seria na avenida Novo Arbat, perto da sede do governo, onde estaria programado um comício. Manifestantes presos em protestos que tomaram as grandes cidades do país na segunda-feira começaram a ser soltos ontem.

A rede BBC estimava que 250 pessoas foram libertadas em Moscou, mas ainda não havia um dado oficial. Calcula-se que tenham sido presos entre 500 e mil manifestantes.

– Precisamos lembrar que centenas de pessoas foram detidas, e algumas serão processadas – afirmou o blogueiro Alexey Navalny, um dos opositores libertados ontem.


Fonte: Zero Hora, 7 de março de 2012



DOENÇA DO LÍDER
Venezuela debate sobre herdeiro

Câncer do presidente abre discussão sobre o sucessor no comando do país

CARACAS - A complexa busca por um substituto para a forte liderança de Hugo Chávez, 57 anos, deveria ser uma prioridade para o país, que enfrenta dúvidas sobre a saúde do presidente e sua capacidade de competir na corrida eleitoral que culminará no pleito do dia 7 de outubro.

Chávez viajou sexta-feira para Havana, em Cuba, onde será submetido a uma nova cirurgia no local de onde foi retirado um tumor em junho de 2011. O presidente voltou a manter silêncio sobre a localização exata do tumor e não deu detalhes.

– Não sou imortal – admitiu.

Embora tenha afirmado que “nada nem ninguém poderá impedir” a chamada revolução bolivariana, analistas consideram que seu projeto está em perigo se seus partidários não conseguirem escolher uma figura forte e carismática que leve adiante a mesma bandeira – no caso de Chávez ficar impossibilitado de concorrer à reeleição.

– É imperativo que comecem a analisar os quadros de substituição e de liderança, uma tarefa complicada, porque a Venezuela vive um movimento personalista, que gira em torno de um caudilho – declarou a professora Mariana Bacalao, da Universidade Católica Andrés Bello.

Substituição é quase um tabu na Venezuela



A possível volta do câncer de Chávez preocupa partidários, mesmo que não expressem em público a possibilidade de uma substituição – quase um tabu.

– Chávez é e continuará sendo o nosso candidato, ele continuará sendo o líder da revolução bolivariana – afirmou Diosdado Cabello, ex-vice-presidente.

Cabello, junto com o atual vice-presidente, Elías Jaua, o chanceler Nicolás Maduro e o ministro da Defesa, Henry Rangel Silva, entre outros são os herdeiros politicos do presidente na opinião de especialistas.


Fonte: Zero Hora, 24 de fevereiro de 2012


FAXINA ELEITORAL
Ficha Limpa ganha aval do STF

Ministros asseguram validade de lei que impede a candidatura de condenados pela Justiça e sua aplicação já em outubro

Depois de manter os poderes de investigar e punir juízes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no início do mês, o Supremo Tribunal Federal deu mais um passo ontem para tornar o Brasil menos vulnerável à corrupção e à impunidade. Por sete votos a quatro, os ministros garantiram a validade da Ficha Limpa e sua aplicação já nas eleições deste ano.

Com a decisão, ficam impedidas de concorrer pessoas condenadas por um órgão colegiado, que tiveram mandato parlamentar cassado ou que tenham renunciado a ele para evitar a punição. A Ficha Limpa é de iniciativa popular e foi apresentada ao Congresso após a assinatura de mais de 1,3 milhão de eleitores.
Os ministros analisaram três ações sobre a legislação. A principal polêmica girou em torno da possibilidade de vetar a candidatura de um político que teve condenação contra si, mas ainda passível de ser revertida na Justiça.

Os ministros contrários à lei argumentavam que este ponto fere o principio constitucional da presunção de inocência, pois penaliza um político que, em tese, pode ser considerado inocente no final do processo. Também disseram que não deveria ser levado em conta argumentos em favor da vontade popular.

– Não se deve esquecer que essa tal opinião pública ou essa imprecisa vontade do povo é a mesma que elege os chamados candidatos fichas-suja – afirmou Gilmar Mendes.
Prevaleceu, entretanto, o argumento de que a proibição de se candidatar não deve ser encarada como uma punição, mas como uma condição de inelegibilidade.

– A iniciativa popular plenifica a democracia, o que confere à lei, se não a hierarquia maior, um tônus de legitimidade ainda maior, ainda mais denso. Essa lei é fruto do cansaço, da saturação do povo com os maus tratos infligidos à coisa pública – disse Ayres Britto.

Foi derrotada a proposta de Luiz Fux, o relator, de reduzir o tempo em que um político teria sua candidatura barrada. Segundo a lei, se um candidato é condenado por um colegiado, ele ficará inelegível por oito anos mais o período da condenação imposta. Se a condenação pelo crime é de 10 anos, por exemplo, a inelegibilidade é de 18.

No entendimento de Fux, esse prazo de oito anos deveria correr a partir da condenação do candidato e abranger o período em que ele recorre e aquele em que ele cumpre a pena. No caso do exemplo, o político não estaria mais inelegível após o cumprimento da pena de 10 anos. Mas a posição do relator foi derrubada.

Os alvos
Fica inelegível por oito anos o político que:

- For condenado por um colegiado por abuso do poder, corrupção, improbidade, crimes eleitorais, contra a economia e o patrimônio, lavagem de dinheiro, tráfico, crimes contra a vida, quadrilha, entre outros.
- Tiver contas rejeitadas pelo TCU, por decisão irrecorrível.
- Renunciar a cargo para evitar a cassação ou for cassado.
- For excluído do exercício da profissão.
- For demitido do serviço público. Sendo juiz ou membro do MP, for aposentado compulsoriamente ou exonerado por processo administrativo ou tenha se aposentado para evitar o processo.




CONFRONTO VERBAL
Angela ve protecionismo, Dilma prepara mais defesa

Chanceler alemã reage a crítica da convidada brasileira sobre efeito negativo de inundação de euros



Chanceler alemã e presidente brasileira deixaram diplomacia de lado e firmaram suas posições

Horas antes de um jantar reservado em Hannover, as chefes de governo de Brasil, Dilma Rousseff, e Alemanha, Angela Merkel, mostraram porque são chamadas de mulheres fortes.

Na abertura de uma feira de tecnologia, cenário mais adequado a troca de amenidades do que a um confronto verbal, Angela surpreendeu até a imprensa alemã ao apontar “medidas protecionistas unilaterais” diante da presidente do Brasil, porta- voz de promessas de medidas de defesa comercial.

Havia expectativa de que Dilma falasse dos riscos da injeção de dinheiro patrocinada pelos países desenvolvidos. No entanto, a presidente do Brasil subiu ao púlpito primeiro e foi diplomática. Angela, porém, mostrou que o discurso anterior da colega emergente havia ecoado nos gabinetes germânicos.

Contra-atacou reclamando de mecanismos de proteção comercial adotados por Brasil e outros países emergentes, como a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros importados do final do ano passado.

Presidente da Fiergs, Heitor Müller não teve dúvida de que a líder alemã quis passar um recado. Assim como a maioria dos dirigentes industriais brasileiros, Müller não só concorda como tem defendido mais medidas de proteção.

– Fazemos pouco em comparação com o que há por aí. O câmbio artificial é o pior protecionismo – rebateu Müller.

Pressionada por exportadores, Dilma avisou que prepara mais medidas. Quer enfrentar a guerra cambial que ganhou adesão da Europa no pelotão de ataque formado até então por Estados Unidos e China. Por meio do controle do câmbio, como na China, ou pela via da emissão de dólares e euros, esses países provocam desvalorização de suas moedas.

Como a enxurrada de dinheiro nos mercados emergentes parece inevitável, o governo brasileiro estuda ações para tentar conter a valorização do real, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital estrangeiro. A presidente voltou a afirmar que medidas dos países ricos gera efeito nocivo sobre economias emergentes.

– O câmbio virou uma forma artificial de proteção – reiterou.


Fonte: Zero Hora, 6 de março de 2012


CIDADES POSSÍVEISUm elenco de convidados que promete para este ano um perfil menos teórico e mais pragmático.

Nomes como o economista Amartya Sen e os urbanistas Cameron Sinclair e Enrique Peñalosa, confirmados para esta edição, são reconhecidos internacionalmente por trabalhos que buscam pensar comunidades no sentido prático. Sen, que abre o ciclo no dia 25 de abril, discute conceitos filosóficos e econômicos aplicáveis a sociedades existentes, e não ideais. Peñalosa foi um dos gestores responsáveis pela recuperação urbana de Bogotá, na Colômbia, e Sinclair lidera uma organização que reconstrói comunidades atingidas por tragédias naturais e pelas guerras.

– São representantes de uma concepção de cidade que congrega pessoas, independentemente de sua posição social, como um local para misturar diferentes estratos da população. Pensam melhorias integradas à realidade de cada comunidade.

Nesse sentido o Fronteiras continua um debate que já estava na última Bienal do Mercosul, o da "Cidade Invisível", a cidade que está ali mas não é vista - diz o curador cultural do projeto, Donaldo Schüler.

A lista cont também com dois agraciados pelo Prêmio Novel: o político e diplomata egípcio Mohamed El Baradei (Nobel da Paz em 2005) e o economista indiano Amartya Sen (Nobel de Economia em 1998).

O convidado mais conhecido do evento é o escritor moçambicano Mia Couto, cuja palestra, em 12 de novembro, encerra o ciclo. Couto, que já esteve na Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo, em 2007, mescla em seu trabalho uma prosa poética assumidamente tributária do também moçambicano Luandino Vieira e do brasileiro Guimarães Rosa com a cultura africana. Nesse sentido, também comunga o pragmatismo que é uma das linhas centrais deste Fronteiras.

- Mia Couto diz que a visão europeia da África acentua o mistério e a barbárie do continente. Ele procura construir em suas obras uma identidade moçambicana que parta da realidade local - diz Schüller.


Fonte: Zero Hora, 7 de março de 2012




DEPOIS DA VITÓRIA
Putin enfrenta o "não" das ruas

Pelo menos 550 manifestantes foram presos em Moscou e São Petersburgo em protestos contra supostas fraudes em eleição



Ativistas de oposição desafiaram o frio intenso e a repressão policial

Um dia depois do retumbante retorno de Vladimir Putin ao Kremlin, milhares de pessoas foram às ruas de Moscou e de São Petersburgo ontem protestar contra as irregularidades da eleição de domingo.

Pelo menos 550 manifestantes foram detidos nas duas cidades, em uma dos maiores protestos desde a queda da União Soviética, em 1991. om quase 100% das urnas apuradas em todo o país, Putin conquistou mais de 63% dos votos, mas, em Moscou ( onde a oposição é mais forte), não chegou a alcançar a marca de 50%. Homem forte da Rússia por oito anos – primeiro como presidente, depois como primeiro- ministro –, Putin diz que venceu um pleito “justo e aberto”. A voz das ruas, porém, diz totalmente o contrário.

– A eleição é uma farsa. As autoridades são ilegítimas – afirmou Vladimir Ryzhkov, líder oposicionista.

Na histórica Praça Pushkin, epicentro de protestos de dissidentes durante o regime soviético, a frase de ordem era a seguinte: – Queremos a Rússia sem Putin. No domingo, a oposição já tinha prometido retomar os protestos. O popular blogueiro Aleksei Navalny propôs a instalação de um acampamento permanente nos moldes do que foi visto no Ocupemwall Street, nos EUA.

Observadores apontam irregularidades no pleito

Observadores internacionais da Organização para Segurança e Cooperação na Europa ( OSCE) denunciaram várias irregularidades na votação – uma delas era de que o mesmo eleitor podia registrar várias vezes o voto, em diferentes seções eleitorais. Os especialistas também acusaram o Kremlin de favorecer Putin.

Os monitores dizem ter encontrado problemas em um terço dos colégios eleitorais do país e acusaram falhas na contagem dos votos.

– O sentido de uma eleição é que o resultado deve ser sempre incerto. Esse não foi o caso da Rússia. Não houve competição real, e o abuso de recursos do governo garantiu que não houvesse dúvidas sobre o vencedor final dessas eleições – disse o porta- voz da OSCE, Tonino Piscula.

Os observadores afirmaram que Putin teve uma clara vantagem sobre seus rivais na mídia e que recursos do Estado foram utilizados em nível regional para apoiar sua campanha.

Contrariado com as denúncias de fraude, o diretor da comissão eleitoral central ( o órgão que organizou o pleito), Vladimir Churov, apelou para teorias conspiratórias. Ele acusou os observadores internacionais de entrar na Rússia apenas para espionar instalações nucleares. Churov disse que, recentemente, houve novas tentativas de acessar os segredos militares russos, mas não ofereceu provas.


Fonte: Zero Hora, 6 de março de 2012.

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