segunda-feira, 19 de março de 2012

Leitura de Jornal


Pagamento por celular terá estímulo

Objetivo de regras é sistema barato que ligue bancos, lojas e operadoras

Com mais de 250 milhões de aparelhos de telpagamento-celular-brazil-payamentefonia movel em operação no Brasil, o governo começa a trabalhar na regulamentação de pagamentos por meio de telefone celular, os chamados mobile payments.

O objetivo é criar um sistema barato que permita interligar bancos, operadoras e lojas.
Em reunião esta semana entre o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi acertada a montagem imediata de um grupo técnico. O sistema seria semelhante ao usado para a recarga de celulares.

Para efetuar a transação, o estabelecimento enviaria uma mensagem ao banco, que, por sua vez, mandaria outra mensagem ao celular do usuario pedindo a verificação e autorizaão da compra por meio de uma senha.

- O celular nao precisa ser um smartphone, já que a tecnologia empregada seria semelhante a um SMS completou o ministro.

Os pagamentos deverão ter limite baixo, para compras cotidianas, nao para aquisicão de bens de valor mais alto. Modelos parecidos já estao em uso na Grã-Bretanha e no Quenia.


Fonte: Zero Hora, 14 de março 2012


Disputa entre Sarkozy e Hollande é acompanhada de perto nas capitais europeias

Na visão dos parceiros da França na União Europeia, Nicolas Sarkozy irrita e François Hollande intriga. O primeiro não mediu esforços para garantir “a volta da França para a Europa”; o segundo é um novato propenso a cometer um erro a qualquer momento, na visão dos europeus. O duelo entre Nicolas Sarkozy e François Hollande interessa aos dirigentes dos 27 membros da UE, embora sejam poucos aqueles que, a exemplo da chanceler alemã Angela Merkel, tenham claramente tomado partido pelo presidente atual, ou escolhido apoiar seu oponente, como fez o socialista belga Elio Di Rupo.

Nicolas Sarkozy soube aproveitar as repetidas crises sofridas pelos 27 para reforçar sua autoridade já a partir da presidência francesa da União Europeia, no segundo semestre de 2008. Fosse na crise financeira ou na mediação entre Geórgia e a Rússia, sua rápida reação lhe permitiu imprimir sua marca, antes que a tormenta que vem abalando a zona do euro há mais de dois anos colocasse à prova, mais do que nunca, a improvável parceria que ele compõe com a chanceler alemã. A dupla franco-alemã – Merkozy – se impôs então como o verdadeiro piloto da União Europeia, apesar das diversas tensões suscitadas entre Paris e Berlim pelo salvamento dos elos fracos da união orçamentária, e pela reformatação desta.

Líder dos países do Sul, Nicolas Sarkozy pôde cultivar ideias importantes a ele, como o governo econômico, mas foi Angela Merkel que determinou sua substância, ao exportar sua “cultura de estabilidade”. Com isso, Sarkozy procurou limitar as transferências de soberania, para colocar no centro do jogo as cúpulas dos 17 chefes de Estado e de governo da zona do euro, enquanto a chanceler passou a defender uma verdadeira “União política”, de tipo federal, para superar a crise.

Mas o estilo pouco diplomático e os métodos muito intergovernamentais de Nicolas Sarkozy desconcertaram boa parte de seus colegas europeus. “Quando nos falamos pelo telefone, primeiro contamos as maldades que Sarkozy pode ter dito pelas nossas costas”, contou, no final de 2011, um frequentador do Conselho Europeu.

Mais fundamental ainda: Sarkozy, segundo seus detratores, fez muito para transformar o funcionamento dos 27, ao dar o papel principal aos Estados, mesmo que isso fosse marginalizar as instituições europeias, tanto a Comissão quanto o Parlamento.

Ele foi trocando cada vez mais alfinetadas em graus variados de discrição com Jean-Claude Trichet, ex-presidente do Banco Central Europeu, cujo papel na crise das dívidas foi determinante.

Caso se passe o bastão no Palácio do Eliseu, a atitude de François Hollande, pouco conhecido no cenário europeu, é considerada menos previsível. “Ninguém sabe realmente o que se passa na cabeça dele, mesmo que sua longínqua filiação com Jacques Delors seja até animadora”, diz um alto dirigente de Bruxelas. Este último espera que os socialistas franceses tenham superado as divergências surgidas em 2005, durante o referendo negativo contra a Constituição - sem estar realmente tranquilizado até agora pela abstenção deles durante a ratificação do Mecanismo Europeu de Estabilidade, o fundo de socorro permanente instaurado contra a vontade inicial da Alemanha para apoiar os países na mira dos mercados.

Os primeiros posicionamentos do candidato socialista sobre a Europa tampouco geram indiferença. Sua intenção de renegociar o pacto orçamentário para juntar à parte “orçamentária” uma parte mais orientada para o apoio ao crescimento é difícil de engolir. Segundo um dirigente europeu, ela não passaria de uma “doce ilusão”, uma vez que o novo tratado deve ser assinado na sexta-feira (2), e portanto estará em fase de ratificação.

“Certamente não somos a favor de uma renegociação”, disse Jan Kees de Jager, o ultra ortodoxo ministro holandês das Finanças, um dos aliados da Alemanha na gestão da crise das dívidas soberanas. “Em compensação, se Hollande quiser conduzir mais reformas, então estaremos ao seu lado, quer se trate da liberalização dos serviços ou das reformas do mercado de trabalho”, disse.

“O paradoxo é que Hollande pretende dar garantias de sua seriedade orçamentária, mas ele  está atacando justamente o instrumento que deveria dar corpo à disciplina coletiva implementada pelas capitais europeias”, constata Yves Bertoncini, secretário-geral da fundação Nossa Europa, criada por Jacques Delors.


Fonte: Uol Notícias



Oposição fica surpresa com seu próprio sucesso eleitoral em Moscou

Enquanto muitos no movimento de protesto na Rússia estão em busca de direção após a vitória de Vladimir Putin na eleição presidencial, outro grupo de oponentes do Kremlin em Moscou está elaborando planos para novos bancos de parque, passarelas para pedestres e estacionamento mais eficiente.


Milhares de pessoas atenderam neste sábado (10) à convocação de grupos opositores na Rússia para sair às ruas de Moscou em protesto contra o resultado das eleições presidenciais do último dia 4, vencidas pelo atual primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, mas consideradas fraudulentas pelos críticos - FOTO: DIVULGAÇÃO

Inspirados pelos recentes protestos contra Putin, mas não satisfeitos apenas com manifestações de rua, centenas de jovens moscovitas decidiram concorrer nas eleições municipais na última semana. Para choque de muitos, dezenas venceram.

“Eu fiquei totalmente surpresa”, disse Vera Kichanova, uma estudante de jornalismo de 20 anos que fez campanha por uma cadeira no conselho distrital de Yuzhnoe Tushino, em Moscou. “Todos olhavam para nós como se não fôssemos concorrentes sérios, mas vencemos.”

O fato de alguém como Kichanova poder vencer uma eleição, sem contar ser inspirada a disputar uma, mostra o quanto a Rússia mudou desde dezembro, quando dezenas de milhares de moscovitas, antes desprezados como apáticos, tomaram a praça central de Moscou para um protesto contra o governo de Putin.

Uma cultura política nasceu aparentemente da noite para o dia, pelo menos em Moscou. Mas em uma cidade obcecada por dinheiro e prestígio, talvez a manifestação mais notável desse movimento seja uma nova paixão entre os jovens moscovitas com alta escolaridade em seguir seus ideais, mesmo que signifique encarar a labuta do governo local.

“Idealmente, nós estamos protestando para que Putin saia e diga: ‘Estou cansado, estou de saída’”, disse Kichanova, que usa óculos descolados de aros grossos e calças multicoloridas. “Mas isso não vai acontecer, de modo que também há esses pequenos passos. Quando você encontra uma brecha na parede de ferro, faz sentido tentar passar por ela.”

Agora, em vez de criar cartazes anti-Kremlin e temer ser presa, Kichanova está discutindo planos para um fórum comunitário on-line e condomínios cooperativos, que são virtualmente inexistentes. Ela também deseja criar uma linha direta para dúvidas sobre o alistamento militar.

Ela foi uma entre os cerca de 200 candidatos independentes em Moscou concorrendo por cadeiras nos pequenos conselhos distritais, por meio de uma iniciativa chamada Nossa Cidade, que foi criada no ano passado pelos oponentes de Putin. Mais de 70 deles conquistaram cadeiras. Foi um desdobramento revolucionário, considerando o total de 1.500 cadeiras nos conselhos, a maioria delas ocupadas por pessoas leais a Putin ou comunistas grisalhos. E as oportunidades de avanço para círculos políticos mais altos são limitadas. Mas com seu senso de moda jovem e frequentemente heterodoxo, os recém-chegados injetam uma energia no sistema político sisudo da Rússia que os eleitores parecem ter considerado atraente.

“Eu acho que o que estamos fazendo e o que estamos conseguindo --esta pequena tomada de conselhos municipais-- não é pouca coisa, especialmente sob a ditadura atual”, disse Mikhail Velmakin, 30, um fundador da iniciativa Nossa Cidade, que conquistou um segundo mandato no conselho municipal de uma comunidade-dormitório conservadora de Moscou, apesar de seu cabelo rastafári.

Ele disse que o número de pessoas dispostas a disputar as eleições municipais aumentou depois do início dos protestos em dezembro, assim como o número de pessoas dispostas a votar em candidatos da oposição.

Poucos têm ilusões de que seu trabalho nos conselhos distritais levará a mudanças rápidas. A maioria das decisões importantes em Moscou é tomada por burocratas não eleitos de órgãos que respondem ao prefeito não eleito da cidade. Os conselhos distritais, que são compostos por voluntários eleitos, mal têm autoridade para decidir a localização de um banco de parque ou o plantio de uma árvore.

A única vantagem que os membros dos conselhos têm é o contato com os eleitores e, com a quantidade certa de energia, a capacidade de mobilizá-los, disse Velmakin. Seu maior sucesso até o momento foi mobilizar seus eleitores para o bloqueio da construção de um estacionamento, que causaria a remoção de um campo de futebol popular.

Em seu 30º aniversário no mês passado, ele disse que seus eleitores, a maioria mulheres idosas, telefonaram para parabenizá-lo e para avisar que participariam do próximo protesto contra Putin. “Você pode fantasiar sobre atingir suas metas com tanques e aviões ou por meio dos princípios de Gandhi”, disse Velmakin. “Há muitas possibilidades, mas há algumas poucas medidas táticas. Nós devemos falar com as pessoas e lhes dizer o que está acontecendo.”

Esse foi um dos maiores erros de cálculo cometido pelos líderes do movimento de protesto. Energizados pelo sucesso inicial, eles não se esforçaram para projetar sua mensagem além de Moscou e outras poucas cidades grandes, acreditando que, talvez, seu desprezo por Putin e seu governo fosse amplamente compartilhado.

Apesar das acusações esporádicas de manipulação de votos na eleição presidencial, está ficando claro que Putin conta com apoio suficiente para vencer sem fraude. O que muitos eleitores parecem querer é uma mudança incremental, assim como um pouco de honestidade.

Maksim Kats, que diz ganhar a vida jogando pôquer, conquistou uma cadeira no conselho distrital de Shchukino, em parte, ele acredita, devido aos seus panfletos honestos de campanha, nos quais ele enfatizou sua falta de experiência e destacou seu sobrenome judeu, às vezes uma desvantagem política aqui. “Eu fui aconselhado a não ser tão direto, a mudar meu nome e vestir terno e a prometer que lutaria pelo aumento das pensões e salários”, diz o panfleto. “Nossos políticos e seus métodos me deixam doente, de modo que estou dizendo a vocês como realmente é.”

Em uma entrevista, Kats disse que se concentraria em tornar as calçadas de seu distrito melhores para os pedestres, impedindo os carros de estacionarem sobre elas. Ele disse que gostaria de ver Putin deixar o cargo algum dia, mas que estava disposto a esperar. “Eu tenho 27 anos, eu tenho muito tempo”, ele disse.

Kichanova, que em uma entrevista usava um alfinete de lapela com uma cascavel enrolada, tirada das bandeiras americanas “Não Pise em Mim”, parecia estar mais animada. Idealmente, ela disse, o movimento de protesto deveria mobilizar pessoas suficientes para ocupar uma praça de Moscou e erguer um acampamento de tendas, como os ucranianos fizeram na chamada Revolução Laranja, de 2004. “O fato de ter me tornado membro do conselho não significa que deixarei de participar dos protestos”, ela disse. “Eu já tenho uma tenda.”


Fonte: Uol Notícias


Primavera Árabe mostra que ainda há muito a ser feito, diz MSF

Respeitada e admirada em países como Haiti e Sudão do Sul, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) falhou no mundo árabe. A conclusão é do economista Tyler Fainstat, 33 anos, diretor-executivo da organização no Brasil. "Um dos grandes assuntos que, em 2011, pegou o mundo inteiro de surpresa, inclusive Médicos Sem Fronteiras, foi a revolta nos países árabes. Nos demos conta que nossa organização não tinha investido suficientemente nesses países e estamos agora tentando aprofundar nosso conhecimento de como trabalhar, de como dialogar com esses governos e como contatar redes nesses países", afirma Fainstat, que recebeu o Terra na última terça-feira antes da exibição, em Porto Alegre, do documentário que marca os 40 anos de MSF.

A Líbia foi um dos países onde a organização teve seus limites testados. Após enfrentar a dura resistência do governo Kadafi, a MSF conseguiu entrar no país e ajudar algumas das milhares de pessoas que precisavam desesperadamente de auxílio. No entanto, no fim de janeiro, representantes da organização anunciaram a suspensão das operações em Misrata, uma das cidades mais devastadas pelos confrontos entre rebeldes e kadafistas. Os médicos, que chegaram à região para tratar feridos de guerra, se viam cada vez mais obrigados a atender prisioneiros torturados pelo novo governo. Num círculo vicioso, os líbios iam e vinham entre hospitais e prisões, curados e torturados novamente. A organização optou por denunciar a situação e deixar Misrata.

Esta é uma dúvida que assola constantemente os membros de MSF: se calar e atender os que necessitam ou denunciar e abrir os olhos do mundo para os absurdos que testemunham? Como explica Fainstat, é um trabalho duplo, que implica prestar assistência médica, mas também tornar públicas as situações enfrentadas. "(na Líbia) Tivemos que tomar a decisão de deixar o país porque nosso espaço humanitário não estava sendo respeitado", explica.

Para os membros da organização, as escolhas não param por aí. A questão não é só falar ou se calar. Muitas vezes, é decidir quem vai sobreviver. No documentário MSF: (Un)Limited, profissionais relatam o quanto é duro decidir que vidas serão salvas. Lidar com a frustração não é uma tarefa fácil. "Um lado, às vezes, se sente bem por oferecer assistência em situações onde não há nada. Mas, por outro lado, é muito frustrante. O máximo que podemos oferecer ainda é pouco", admite Fainstat.

Cabe aos profissionais recrutados pela organização assimilar um dos princípios que o diretor-executivo repete à exaustão: "Não estamos lá para dar soluções. A nossa missão é muito básica, é de tentar aliviar sofrimento e salvar vidas. Nós trabalhamos com os sintomas das situações - desastres naturais, conflitos, fome, epidemias -, mas nós não pretendemos solucionar esses problemas".

A Primavera Árabe despertou MSF para a grandeza do trabalho que tem pela frente. São reconhecidos no Haiti, onde estão há 20 anos. Lá, o trabalho vai de ensinar noções básicas de higiene e saúde à construção de hospitais - depois que o terremoto de 2010 devastou o país. São respeitados no Sudão do Sul, onde chegaram a ser o único serviço médico para 250 mil pessoas. "Eles confiam muito em nós porque ficamos lá com eles na guerra. Todo mundo já foi atendido pela MSF". Mas ao chegar nos países do norte da África e Oriente Médio em crise ao longo de 2011, se depararam com um cenário novo. Precisavam convencer a população das razões que os levavam até lá.



MSF: (Un)Limited
Para marcar os 40 anos de MSF, a organização produziu o documentário MSF: (Un)Limited, que está sendo exibido em algumas cidades brasileiras. Na última terça-feira foi a vez de Porto Alegre. No auditório do Teatro do Sesc, no centro da capital gaúcha, cerca de 50 pessoas se reuniram para assistir o vídeo de quase uma hora seguido por um bate-papo com Fainstat e as médicas gaúchas Maria Fernanda Detanico e Cristine Feliciati Hoffmann.

Aos 31 anos, a cirurgiã Maria Fernanda já esteve em missões no Haiti, Sudão do Sul, Líbia e Paquistão. "É complicado saber que uma grávida precisa viajar 150, 200 km para ser atendida", afirmou, ao lembrar da passagem pelo Sudão do Sul, onde, segundo ela, só havia três cirurgiões. Questionada pela plateia, a médica garantiu que um dos maiores desafios de seu trabalho é não se acostumar. "Não posso passar por uma criança ou adulto desnutrido e achar que é normal", afirmou.

A pediatra Cristine, 30 anos, passou a maior parte do ano passado em Moçambique atendendo infectados por aids e tuberculose. Embora o português também seja a língua oficial do país africano, a comunicação foi uma das dificuldades apontadas pela médica. Ela diz que a taxa de analfabetismo é muito alta na região onde trabalhava e, principalmente as mulheres, falam apenas dialetos locais, exigindo a presença de intérpretes nas consultas.

As barreiras culturais, no entanto, foram apontadas pelas médicas como as mais difíceis de transpor. Para elas, estabelecer vínculos acabava sendo a melhor solução. "Eu tinha que passar confiança. As pessoas tinham que acreditar que o que eu ia fazer ia ser bom", disse Maria Fernanda. Ela enfrentou, por exemplo, a resistência cultural que algumas pessoas têm à cirurgia e precisou encontrar uma maneira de deixar clara a necessidade do procedimento, sem fazer com que o paciente se sentisse agredido, invadido.

Obter a confiança dos moradores é também uma forma de garantir a segurança dos trabalhadores. Atualmente, dois membros da organização estão sequestrados na Somália, em guerra civil há mais de 20 anos e um dos países onde MSF enfrenta mais problemas. "Trabalhar em zonas de conflito implica riscos. É impossível fazer trabalho humanitário, trabalhar com os mais necessitados, e não correr riscos. Precisamos gerenciar esses riscos e tentamos medir os resultados. Não queremos que nossos funcionários sejam expostos a riscos, mas em algumas situações, infelizmente, é inevitável", admite Fainstat.

Uma das maiores tragédias enfrentadas por seus integrantes ainda marca a organização e é lembrada pelo médico Ronny Zachariah em MSF: (Un)Limited. Ele estava em Ruanda quando 50 integrantes da organização foram vítimas de um massacre. "Os profissionais de MSF foram removidos à força. Suas identidades foram cuidadosamente examinadas, para verificar a etnia. Os tutsis foram colocados de um lado, os hutus foram colocados do outro lado. Então, a milícia deu aos profissionais de MSF que eram hutus armas e facões para que matassem os colegas tutsis. Os que se recusaram foram golpeados até morrer, da forma mais cruel possível. Perdemos 50 profissionais", lembra Zachariah.

Sem segurança armada, sem o respaldo de governos, sem salários atraentes - como ressaltaram os integrantes no bate-papo no Sesc - pode parecer difícil imaginar o que atrai jovens profissionais a se aventurarem por alguns dos países mais pobres do mundo em missões humanitárias que, muitas vezes, os fazem sentir-se frustrados ou incapazes de mudar a realidade que testemunham a sua volta. Os três, no entanto, fazem questão de lembrar o quanto aprendem em cada operação e não demonstram ter dúvidas de que, em breve, partirão em uma nova missão. "Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida", garante Fainstat, que, há oito anos, poucas semanas antes de aderir à MSF, sequer sabia que um economista, como ele, poderia integrar a organização.


Fonte: Uol Notícias


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