terça-feira, 27 de março de 2012

Leitura de Jornal













O "efeito Sarah Palin" e as novidades nas presidenciais americanas

A atriz Julianne Moore (à esquerda) interpreta a republicana Sarah Palin (à direita) no filme "Game Change"
Apresentado pelo canal a cabo HBO em plena pré-campanha eleitoral, o filme “Game Change”, de Jay Roach (que também realizou Austin Powers) tem suscitado debates e reflexões sobre o sistema partidário e a democracia americana. O filme é baseado no livro do mesmo nome publicado em 2010 e escrito por John Heilemann e Mark Halperin. Na obra, os dois jornalistas americanos analisam a eleição presidencial de 2008 e o momento crucial em que John McCain escolheu Sarah Palin como candidata à vice-presidência. O título retoma a frase de um dos assessores de McCain que o aconselhou a procurar uma mulher como parceira de chapa, sob argumento de que a presença de um negro como candidato democrata à presidência tinha gerado uma mudança no jogo (“a game change”) das representações na política americana. Para ele, só uma candidatura feminina poderia ter impacto semelhante ao de Obama na campanha presidencial.


O filme foi visto por 2,1 milhões de telespectadores em sua primeira emissão e foi geralmente bem recebido pela crítica que elogiou bastante o papel da atriz Julianne Moore, como Sarah Palin. Do lado republicano, os desmentidos sobre os fatos narrados no filme se multiplicam, tanto por parte de Palin e sua família como por parte de McCain. Para além desse debate anedótico, os comentários também sugerem análises mais complexas sobre as presidenciais americanas de 2012. Em 2008, o “efeito Sarah Palin” foi, de fato, imediato. A ex-governadora do Alaska mobilizou as atenções pela novidade política que representava, mas também pelas controvérsias que gerava, tanto pelo seu conservadorismo como por sua desinformação e disparates sobre a política internacional. No final das contas, sua candidatura teve uma consequência de mais longo prazo, mostrando a insatisfação dos ultraconservadores americanos com o mundo atual e a cultura americana. Insatisfação que se cristalizou no movimento Tea Party.

A partir daí, vários pré-candidatos republicanos procuraram explorar esse novo filão político. Entre os mais conhecidos estão o governador do Texas, Rick Perry, que já saiu do páreo das primárias,  Newt Gingrich, que tem tido um fraco desempenho e talvez também retire sua pré-candidatura nas próximas semanas, e Rick Santorum, decidido a ir até o fim para enfrentar Mitt Romney na convenção republicana. Como já escrevi anteriormente, Santorum deslocou o eixo da campanha presidencial para a direita extrema, levando seu rival mais moderado, Mitt Romney, a entrar no terreno duvidoso do ultraconservantismo americano. Agora, começam aparecer reações cada vez mais numerosas de editorialistas e dirigentes republicanos que se preocupam com a radicalização nas primárias do partido. Muitos temem que a ideologização da campanha isole o candidato republicano da maioria dos eleitores americanos e entregue de bandeja a reeleição a Barack Obama. Neste fim de semana, o analista republicano Mark W. Davis, ex-assessor do presidente George Bush (pai), escreveu no semanário U.S. News & World Report's, um artigo significativamente intitulado “Porque o ‘establishment’ republicano não suporta Rick Santorum”.

Considerando-se justamente membro do establishment do partido, Davis lista as declarações radicais de Santorum a respeito da contracepção, do ensino público e do papel da religião na política. Em seguida, ele procura demonstrar que o sucesso dos candidatos republicanos, e principalmente das presidências de Ronald Reagan, pressupõe uma gestão mais equilibrada das divergências que separam o eleitorado americano e as próprias tendências internas do partido republicano. Sua conclusão pede claramente que Rick Santorum abandone a corrida das primárias republicanas: “Santorum já teve sucesso na vida. Ele já foi longe demais”.

Esta análise coloca uma questão de fundo, cuja resposta selará o destino do partido republicano nos próximos anos. Tal questão pode ser resumida de maneira seguinte: será que o “efeito Sarah Palin” já se dissipou nos Estados Unidos?


DILMA SOB PRESSÃO
Pelo toma lá dá cá, aliados param país

O motim deflagrado pelos partidos aliados expões uma resistência à tentativa da presidente Dilma Rousseff de romper com sistema que há decadas norteia as relações entre o Congresso e o Planalto.

Inflexível na disposição de não mais trocar apoio às votações de interesse do governo por cargos ou liberação de recursos, Dilma criou um impasse que paralisou a Câera e assusta os articuladores políticos da Presidência.


- Essa queda de braço não é boa. Ou o governo percebe que tem de dialogar e fazer concessões ou a guerra vai piorar - avisa o dirigente do PMDB, principal sócio da coalizão governista, mas que tem insuflado a rebelião.

Ao trancar a pauta de votações em repúdio à postura de Dilma, os deputados querem forçar um recuo do Planalto. Não há argumento, contudo, que convença a presente a aceitar as barganhas. Na quarta-feira, apósser informada de que o consórcio governista iria obstruir a votação da Lei Geral da Copa, Dilma reagiu com indiferença.

- Eles querem obstruir? Que obstruam. Ninguém vai morrer se não votar agora - sentenciou a presidente.

Na ocasião, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, havia sugerido a Dilma que estabelecesse uma data para votar o novo Código Florestal, em troca da aprovação da Lei Geral da Copa. O acerto já havia sido costurado com os partidos da base, mas Dilma manteve-se irredutível. No mesmo dia, ela aproveitou a posse da diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Magda Chambriard, para mandar um recado explícito ao Congresso.

- Não tenho nenhuma dúvida de que a maioria dos brasileiros cansou de conviver com a nossa fgama de país do "jeitinho" - discursou.

Desde o primeiro ano de governo, a presidente já havia dado sinais de que não manteria o estilo despojado do antecessor. Enquanto Lula recebia líderes partidários, promovia jantares no Palácio da Alvorada e aceitava indicações para cargos estratégicos, Dilma sempre demonstrou falta de traquejo para a política varejista. Por sugestão de Lula, porém, ela estava disposta a promover em 2012 uma série de ações na tentantiva de se aproximar dos aliados.

Uma atitude vista pelo Planalto como uma provocaçõa dos senadores, contudo, levou a presidente a endurecer o jogo. Há duas semanas, a petista estava discutindo um cronograma para liberação das emendas quando soube que o Senado havia vetado a recondução de Bernardo Figueiredo, seu amigo, à diireção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
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- A presidente engoliu em seco, mas avisou: eles vão pagar caro por isso - revela um assessor palaciano.

Desde então, a situação se agravou. Sem consulta aos partidos aliados, Dilma substituiu os líderes do governo da Câmara e no Senado, congelou as negociações para a troca dos ministros do Trabalho e dos Transportes e cancelou a organização de encontros com as bancadas. O troco não tardou. Os deputados votaram a demarcação de terras indígenas à revelia do Planalto e convocaram a depoir os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Miriam Belchior, e o presidente da Comissão de Ética, Sepúlveda Pertence, que investiga supostas irregularidades envolvendo o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

- O governo quis pagar para ver e o resultado está aí:  uma derrota avassaladora - provoca um graduado peemedebista.

Com elevados índices de aprovação popular, Dilma, que ontem se encontrou empresários, pretende se valer da popularidade para dobrar os congressistas, passando à opinião pública a imagem de que não se intimida com chantagens e traições.
Acessores próximos à presidente, contudo, estão preocupados com a falta de soluções para o impasse em prazo curto.

- Vamos ver se o humor dela muda depois da Índia. Quem sabe se inspira no Gandhi e volta mais tranquila - afirma articulador do Planalto.


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Consumidor poderá escolher em que banco quer pagar seus boletos vencidos

SÃO PAULO – Consumidores que tiverem contas vencidas vão poder quitar os títulos, depois do vencimento, em qualquer agência bancária e não mais somente no banco que emitiu o boleto. Isso poderá ser feito pelo serviço DDA Contas Vencidas.

O DDA é um serviço de apresentação eletrônica de boletos bancários único no mundo, segundo informa a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Para pagar os títulos por esse serviço, os consumidores podem incluir suas contas vencidas no sistema desde o dia 19 de março.

“A novidade deverá proporcionar aos clientes mais comodidade e segurança, diminuindo, por exemplo, os riscos do golpe da 'saidinha', já que não será mais necessário pagar em dinheiro”, afirma o diretor adjunto de serviços da Federação, Walter Tadeu de Faria.

Como utilizar?
Para usar o serviço, o cliente precisa se cadastrar como sacado eletrônico em todas as instituições financeiras em que tiver conta. Apenas os clientes cadastrados no serviço DDA poderão pagar um boleto vencido, de forma eletrônica, no banco que preferir – que também deve estar participando do DDA.

Desta forma, o consumidor não precisará se dirigir à instituição financeira. Poderá ser pago qualquer tipo de boleto de cobrança bancária, como as contas de taxas de condomínio, planos de saúde, mensalidades escolares, assinatura de publicações e outros.

Após se cadastrar, o banco passa a encaminhar os boletos eletronicamente, informando o cliente pelo correio eletrônico ou mensagem no celular. Porém, o débito autorizado não significa que o débito é automático.

O consumidor deverá verificar quais boletos foram emitidos pelo banco, em seu nome, autorizar o débito em sua conta ou agendar para a data de vencimento.

No caso de boletos vencidos, na hora em que for efetuar o pagamento, os valores são corrigidos automaticamente. O consumidor não necessita imprimir o documento e se dirigir ao banco emissor do boleto.

“Outra vantagem do serviço é que ele vai permitir a redução dos erros de cálculo, pois os valores dos juros e atualizações para pagamento deixam de ser feitos manualmente e já saem do sistema do banco cedente”, observa Tadeu de Faria.

A Federação estima que 48 milhões de títulos vencidos serão incluídos no novo serviço.

DDA Contas Vencidas
O serviço foi desenvolvido pela Febraban, pela ABBC (Associação Brasileira dos Bancos Comerciais), pela ABBI (Associação Brasileira de Bancos Internacionais), pela Associação Brasileira de Bancos, pela Asbace (Associação Nacional de Bancos) e bancos associados. A operação é feita pela CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos).



Fonte: Uol Notícias

LUTA CONTRA A HOMOFOBIA

Desafio às escolas gaúchas.
Caso de adolescente homossexual agredido por colega põe em cena tema negligenciado em sala de aula

Os repetidos atos de hostilidade foram ignorados na escola de Santo Ângelo, nas Missões. Tampouco foi percebida a omissão dos professores, ou a agressão, que um colega anunciou aos quatro ventos e concretizou em 13 de março. Só quando a vítima escreveu uma carta a uma ONG pedindo socorro, o episódio de bullying contra um adolescente homossexual de 15 anos ganhou a atenção do Estado e, desde ontem, do resto do país.

Ontem, a história do jovem, noticiada na ZH de 20 de março, foi contada ao vivo no programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, exibido na RBS TV.

– Falei que eu não tinha medo dele (do colega agressor). Ele respondeu “então vai ter facada”. Na saída, ele ameaçou tirar uma faca do bolso, mas, em vez disso, me deu uma rasteira e começou a me bater – contou o adolescente.

O caso foi registrado na polícia, o agressor (também de 15 anos) cumpriu três dias de suspensão, e a vítima transferiu-se de escola. Na opinião tanto da vítima quanto de especialistas, seria grande a chance de nada disso ter acontecido se o tema “diversidade sexual” fosse abordado em sala de aula.

– As políticas públicas existem, mas elas não chegam às escolas. Falta material didático, falta capacitação – avalia Toni Reis, 47 anos, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), autor de doutorado sobre a abordagem do homossexualismo nas escolas.

Assim como Reis, o professor da Pós-Graduação em Educação da UFRGS Fernando Seffner lamenta o silêncio sobre o tema. Ambos participaram das discussões sobre o kit anti-homofobia, que acabou vetado.

– Temos subsídio para dizer que a introdução de determinados temas nas escolas gera um impacto posterior positivo. Saúde sexual, por exemplo, é hoje um tema abordado com naturalidade – avalia Seffner.

Coordenador da linha de pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero, Seffner salienta que falar sobre diversidade sexual é uma demanda também das famílias, constrangidas em abordar o tema em casa. Na escola, o debate estimularia um tipo importante de estudante:

– A maioria dos adolescentes heterossexuais não concorda com agressões a homossexuais. Mas eles se sentem amedrontados. Têm medo de acabarem rotulados também. Estimulado, esse pessoal vai opinar.

Prestes a voltar a Santo Ângelo, o adolescente confessa receio em sair na rua, mas sente-se fortalecido com o acolhimento e apoio recebido. A homossexuais vítimas de bullying que se sentem sem saída, como ele após a agressão dia 13, o jovem dá um conselho.

– Não chegue tão perto do limite. A vida é ótima e tem de ser curtida. Está cheio de gente aí para te apoiar.

Kit há 10 meses na prancheta

Composto por vídeos e cartilhas, o “kit anti-homofobia”, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), gerou forte reação da bancada religiosa no Congresso e teve a distribuição nas escolas vetada pela presidente Dilma Rousseff . O motivo do veto, em 25 de maio de 2011, foi que o kit “não servia ao seu propósito”, falava mais sobre a descoberta da homossexualidade do que sobre preconceito e homofobia.

– A questão é que, para respeitar, tem primeiro de entender. Agora, se a Dilma não gostou, que mandasse os técnicos delas fazer melhor. O que não dá é para ficar sem orientação – declara o presidente da ABGLT, Toni Reis.

Desde então, o ministro Fernando Haddad deu lugar a Aloizio Mercadante e, a julgar pelas declarações do novo titular, o kit está longe de sair da prancheta.

– Para construir essa cultura nós vamos ter de estudar mais a fundo a homofobia e como dialogar – disse Mercadante em audiência pública da Câmara dos Deputados, em 14 de março.

A ABGLT promete para 16 de maio – escolhido como Dia Nacional contra a Homofobia nas Escolas – uma manifestação em Brasília pelo lançamento do material.


Fonte: CAUE FONSECA, ZERO HORA 23/03/2012

Sala de aula sem professor, por Esther Pillar Grossi
Artigo publicado em 25/03/2012 no jornal ZERO HORA - RS

Esther Pillar Grossi

Inimigos de Classe é o nome da forte peça de teatro com a qual Luciano Alabarse brinda Porto Alegre neste momento. Esteve em cartaz no Theatro São Pedro e voltará a ser apresentada a partir do próximo dia 30, durante quatro semanas, no Centro Municipal de Cultura.

Um, dentre muitos aspectos que Inimigos de Classe suscita em quem vivencia a realidade de algumas escolas públicas, são faltas frequentes de professores.

Assisti a Inimigos de Classe há dias e não consegui escrever imediatamente a respeito do que me ocorreu sentir e pensar durante o espetáculo impactante. Um pouco do que senti e pensei transcrevo a seguir, provocada pela elo- quência de uma boa obra de arte.

Todo santo dia mergulhada que estou na trama escolar de escolas públicas pelo Brasil afora, na Colômbia e em Cabo Verde, apalpei a atualidade estarrecedora de Inimigos de Classe, escrita em 1935, na Inglaterra.

A falta de professores nas salas de aula é uma realidade tão corriqueira em escolas públicas, que faz com que a gente ouça e sinta a tragédia dos alunos de Inimigos de Classe, à espera de um professor que não vem, como pungentemente familiar.

Pasmem, em uma "boa" escola pública de Porto Alegre, cuja média dos salários dos seus 70 professores é R$ 5 mil, a cada dia, há anos, acontece em média ausência de oito deles. Estas ausências obrigam diariamente a uma adaptação do horário de cada turma e naturalmente um viés assassino nos planejamentos já preparados para tentar levar os alunos a se apropriarem das riquezas do patrimônio cultural e científico que nos legaram nossos antepassados, razão específica da existência das escolas.

Dentre as muitas experiências de alunos sem professora, uma me marcou quando reuni, depois de um curso de matemática, um grupo de professores desejosos de continuar estudando essa apaixonante disciplina científica. Fizemos um planejamento em torno de um campo conceitual superinteressante, que é o sistema de numeração. Dispusemos material multibase para todos os participantes e, passadas seis semanas, nenhuma das 10 professoras, cada uma de uma escola diferente, executou o planejamento devido à falta de colegas professores. Não havia possibilidade de executar seus planejamentos didáticos previstos para uma só turma em outra com o dobro de alunos. Juntar duas turmas é uma das alternativas para tapar o buraco de uma professora faltante.

E por que há professores que faltam tanto? Por um lado, por irresponsabilidade deles. Mas, fundamentalmente, o que desmotiva um professor é ensinar pouco e não curtir as imensas alegrias de quem faz aceder ao conhecimento uma turma de alunos.

Mas, por que ensinam pouco? Porque utilizam metodologia ineficaz, calcada em explicações que embrutecem. Embrutecem porque seguem a lógica dos conhecimentos a ensinar, e não a lógica na qual os alunos aprendem. Para que isso mude, é necessário que a formação dos professores seja outra, mas principalmente que esta nova formação inclua a força prodigiosa do desejo de ensinar de professores com a qual, associada a muitos e sólidos conhecimentos científicos, vá realizar o que Freud caracteriza como atividades profissionais impossíveis: curar, educar e governar. Impossível para Freud é aquilo que só é conseguido com as energias próprias do desejo, capazes de inventar diante dos impasses surpreendentes que os impossíveis contemplam.

Autora diz que professores faltam às aulas porque não têm prazer de ensinar.

*Doutora em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Paris

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