Ilhas Malvinas, polêmico vestígio do grande Império Britânico
Em fevereiro deste ano, a presidente argentina, Cristina
Kirchner, discursou na Casa Rosada em defesa das Malvinas, o território
britânico cuja guerra completa nesta segunda-feira 30 anos. Foi um dos
principais momentos da atual escalada das tensões com os britânicos,
presentes na ilha desde 1882. "No ano que vem cumprem-se 180 anos da
usurpação das Malvinas (...). É um anacronismo manter colônias no século
XXI", defendeu a presidente.
Guerra das Malvinas completa 30 anos
Além do desejo imediato do petróleo da ilha, não é claro o que determina os interesses pelas Malvinas. Pelo lado latino, trata-se, oficialmente, de uma bandeira nacionalista, abraçada mesmo por vizinhos e parceiros hermanos. Pelo lado inglês, trata-se da manutenção de uma posse antiga, sinal da antiga pujança britânica. Mas, richas diplomáticas à parte e à luz da história, fica latente nas provocações mútuas em torno deste pedaço de terra no frio e longínquo extremo-sul da América do Sul o quanto mudou a geografia e o mundo, através e pelos ingleses, neste último século.
Como é costumeiro dizer nos debates históricos, o Império Britânico cresceu a ponto de abocanhar um quarto do mundo, atingindo seus picos entre a metade do século XIX e o início do XX. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os ministros de Londres gerenciavam o maior poder mundial, que se estendia por amplas áreas do norte da África, Oriente Médio e Ásia. Até pouco tempo antes, Canadá e Austrália ainda se enquadravam nas posses da Rainha, sem contar as Treze Colônias, que, um século antes, haviam obtido a independência e erigido os Estados Unidos da América.
Mas as guerras e as revoluções do século XX vieram para acabar com os grandes impérios. As grandes posses de Londres deram lugar a novas nações, perdidas, gestadas ou sugeridas pelas potências ocidentais. Reino Unido e França, os maiores arrendadores da África e do Oriente Médio, viram a maioria de suas grandes posses se esvair, fazendo destas regiões o palco de algumas das maiores ebulições políticas e sociais do último século do segundo milênio da Era Comum.
Assim, neste início de século XXI, quando Londres levanta os olhos por sobre os limites da Grã-Bretanha, o que se avista não é mais a terra que respondia por um quarto da face da Terra, mas um pequeno vestígio imperial de 14 territórios. São pequenas ilhas nos três Oceanos: Pitcairn, no Pacífico; Cayman, Turks e Calcos, Bermuda, Ilhas Virgens Britânicas, Montserrat, Anguilla, Malvinas, Santa Helena, Geórgia do Sul e Sandwich no Atlântico; e Território Britânico do Oceano Índico. Completa o grupo o Território Britânico da Antártida Gibraltar, no estreito que une Espanha e Marrocos. Há também uma base militar no Mediterrâneo, perto da Turquia.
Qual é o lugar das Malvinas neste contexto? A posse na Antártida representa de longe a maior área, com 1,8 milhões de km², mas as Malvinas, com seus 12 mil km², ultrapassa em muito as das ilhas menores (que variam, cada uma, na média, em torno de uns 500 km²). Na Antártida não há população permanente, e as Malvinas são pouco habitadas em comparação com suas colegas britânicas: lá moram cerca de 3 mil pessoas, muito menos, por exemplo, que as 30 mil das ilhas Turks e Caicos e as mais de 50 mil das Cayman e as mais de 60 mil de Bermuda. O PIB das Malvinas não vai longe também: são US$ 75 milhões, pouco perto dos US$ 2,5 bilhões de Cayman e dos US$ 6 bilhões de Bermuda.
Com área considerável, mas PIB e popuações pequenos, as Malvinas, todavia, concentram o grande foco das polêmicas ultramarinas inglesas. Como Kirchner evocou, trata-se de um anacronismo num era, considerada por ela, pós-colonial. No entanto, outros poucos territórios britânicos se mantêm, e Londres, a julgar pelos blefes de militarização pelo 30º aniversário da guerra pela ilha, não apresenta o menor interesse em perder mais um dos resquícios de seu grande império mundial.
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| As polêmicas Ilhas Malvinas representam o segundo maior território
ultramarino britânico, mas a população e o PIB estão entre os menores Foto: Arte/Terra |
Guerra das Malvinas completa 30 anos
Além do desejo imediato do petróleo da ilha, não é claro o que determina os interesses pelas Malvinas. Pelo lado latino, trata-se, oficialmente, de uma bandeira nacionalista, abraçada mesmo por vizinhos e parceiros hermanos. Pelo lado inglês, trata-se da manutenção de uma posse antiga, sinal da antiga pujança britânica. Mas, richas diplomáticas à parte e à luz da história, fica latente nas provocações mútuas em torno deste pedaço de terra no frio e longínquo extremo-sul da América do Sul o quanto mudou a geografia e o mundo, através e pelos ingleses, neste último século.
Como é costumeiro dizer nos debates históricos, o Império Britânico cresceu a ponto de abocanhar um quarto do mundo, atingindo seus picos entre a metade do século XIX e o início do XX. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os ministros de Londres gerenciavam o maior poder mundial, que se estendia por amplas áreas do norte da África, Oriente Médio e Ásia. Até pouco tempo antes, Canadá e Austrália ainda se enquadravam nas posses da Rainha, sem contar as Treze Colônias, que, um século antes, haviam obtido a independência e erigido os Estados Unidos da América.
Mas as guerras e as revoluções do século XX vieram para acabar com os grandes impérios. As grandes posses de Londres deram lugar a novas nações, perdidas, gestadas ou sugeridas pelas potências ocidentais. Reino Unido e França, os maiores arrendadores da África e do Oriente Médio, viram a maioria de suas grandes posses se esvair, fazendo destas regiões o palco de algumas das maiores ebulições políticas e sociais do último século do segundo milênio da Era Comum.
Assim, neste início de século XXI, quando Londres levanta os olhos por sobre os limites da Grã-Bretanha, o que se avista não é mais a terra que respondia por um quarto da face da Terra, mas um pequeno vestígio imperial de 14 territórios. São pequenas ilhas nos três Oceanos: Pitcairn, no Pacífico; Cayman, Turks e Calcos, Bermuda, Ilhas Virgens Britânicas, Montserrat, Anguilla, Malvinas, Santa Helena, Geórgia do Sul e Sandwich no Atlântico; e Território Britânico do Oceano Índico. Completa o grupo o Território Britânico da Antártida Gibraltar, no estreito que une Espanha e Marrocos. Há também uma base militar no Mediterrâneo, perto da Turquia.
Qual é o lugar das Malvinas neste contexto? A posse na Antártida representa de longe a maior área, com 1,8 milhões de km², mas as Malvinas, com seus 12 mil km², ultrapassa em muito as das ilhas menores (que variam, cada uma, na média, em torno de uns 500 km²). Na Antártida não há população permanente, e as Malvinas são pouco habitadas em comparação com suas colegas britânicas: lá moram cerca de 3 mil pessoas, muito menos, por exemplo, que as 30 mil das ilhas Turks e Caicos e as mais de 50 mil das Cayman e as mais de 60 mil de Bermuda. O PIB das Malvinas não vai longe também: são US$ 75 milhões, pouco perto dos US$ 2,5 bilhões de Cayman e dos US$ 6 bilhões de Bermuda.
Com área considerável, mas PIB e popuações pequenos, as Malvinas, todavia, concentram o grande foco das polêmicas ultramarinas inglesas. Como Kirchner evocou, trata-se de um anacronismo num era, considerada por ela, pós-colonial. No entanto, outros poucos territórios britânicos se mantêm, e Londres, a julgar pelos blefes de militarização pelo 30º aniversário da guerra pela ilha, não apresenta o menor interesse em perder mais um dos resquícios de seu grande império mundial.
Fonte: Terra notícias online
O Pasquim: a Revolução pelo Cartum
Documentário em tom de bate-papo de botequim, realizado em 1999, revela os bastidores do tablóide "O Pasquim". São dois volumes: "O Pasquim: A Revolução pelo Cartum" e "Humor com Gosto de Pasquim". Este primeiro volume aborda o nascimento do jornal em Ipanema, os aspectos formais do cartum como foi empregado no jornal e a sua relevância cultural. Dirigido e montado por Louis Chilson com pesquisa de Gualberto Costa e roteiro de José Alberto Lovetro. Produção Carvall e TVSenac. Música de Inácio Zatz. Realização Jal&Gual.
No Paraguay...
Fonte: O Estado de São Paulo, 31 de março de 2012
Hillary diz que regime sírio pode encarar "sérias consequências"
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| A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton faça durante conferência sobre a Síria em Istambul |
ISTAMBUL (Reuters) - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary
Clinton, cobrou dos membros do governo do presidente sírio, Bashar
al-Assad, o fim das operações contra civis, caso contrário enfrentará
"sérias consequências".
"Nossa mensagem precisa ser clara para aqueles que dão ordens e aqueles
que as executam: Parem de matar seus cidadãos ou enfrentarão sérias
consequências", disse Clinton em discurso durante conferência em
Istambul sobre o conflito sírio.
Clinton afirmou que os EUA estão fornecendo equipamentos de comunicação
para a oposição civil síria. Ela acrescentou que apesar de ter aceito
um novo plano de paz proposto pelo enviado da ONU-Liga Árabe, Kofi
Annan, o governo de Assad parece não ter cumprido suas promessas.
Fonte: Uol notícias
China prende 6 e fecha websites após boatos de golpe
A polícia chinesa prendeu seis pessoas e fechou 16
sites de internet em meio à disseminação de rumores pela rede de que
veículos militares estariam nas ruas de Pequim, segundo anunciaram
fontes oficiais neste sábado.
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| Mensagens sobre possível golpe não estão baseadas em nenhuma evidência |
As mensagens que sugeriam um possível golpe
militar em curso, sem nenhuma evidência, repercutiram na última semana
em alguns meios de comunicação internacionais, num momento de tensão por
conta da recente demissão do prefeito da cidade de Chongqing, Bo Xilai,
um dos políticos mais populares do país.
Bo foi retirado de seu cargo após o chefe da polícia da cidade, que
tem cerca de 30 milhões de habitantes, ter buscado refúgio no consulado
americano, supostamente após ter iniciado uma investigação sobre
familiares do prefeito.
Desde então, uma série de acusações vêm sendo
divulgadas contra Bo. No início da semana divulgou-se a informação de
que o governo da Grã-Bretanha teria pedido às autoridades chinesas que
reabrissem as investigações sobre a morte do empresário britânico Neil
Heywood, supostamente amigo próximo do ex-prefeito.
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Bo Xilai era visto como um dos favoritos para um posto de comando no Partido Comunista
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Novela
A novela política em torno de Bo Xilai representa a maior crise política enfrentada pelos líderes chineses em vários anos.
O país se prepara para iniciar o processo de
mudança na liderança do país, num ritual que ocorre apenas uma vez a
cada dez anos. A demissão de Bo Xilai, considerado até então um dos
favoritos para promoção no politburo do Partido Comunista, sugere uma
feroz batalha de bastidores pelo controle do partido.
Antes das prisões e dos fechamentos de sites
anunciados neste sábado, os censores chineses já vinham bloqueando as
buscas por termos ligados a Bo.
O departamento do governo que controla a internet no país afirmou que
os rumores sobre golpe eram "uma influência muito negativa sobre o
público".
Dois populares serviços de microblogs no país -
Sina Weibo e Tencent Weibo, semelhantes ao Twitter - interromperam
temporariamente os comentários sobre posts de outros usuários.
Segundo eles, os comentários ficarão desativados
entre este sábado e a terça-feira para que eles possam "agir para
interromper a disseminação de boatos".
Um porta-voz do departamento de internet afirmou à agência Xinhua que os dois serviços foram "criticados e punidos de acordo".
Ele afirmou ainda que várias outras pessoas foram "advertidas ou educadas".
Estabilidade social
A ação das autoridades chinesas contra as
supostas fontes dos rumores de golpe mostram uma forte preocupação das
autoridades chinesas em manter a estabilidade em um momento de transição
política e de desaceleração econômica no país.
O correspondente da BBC em Pequim Michael
Bristow observa que os fóruns na internet e os microblogs são talvez o
único foro no qual os cidadãos chineses podem expressar livremente suas
visões, e muitos deles fazem isso anonimamente.
Ele observa que em um país onde as informações
oficiais são escassas, os boatos ganham uma força que provavelmente não
teriam em outros lugares.
Em um editorial, o Diário do Povo,
jornal oficial do Partido Comunista, afirmou que "os boatos na internet e
as mentiras embaladas como 'fatos' transformam as conjecturas em
'realidades', alimentam a confusão online e perturbam as mentes das
pessoas".
"Se forem deixados fora de controle, eles
perturbarão seriamente a ordem social, afetarão a estabilidade social e
farão mal à integridade social", complementa o jornal.
Grupos provocadores fascio-comunitas tentam evitar à força reunião no Clube Militar do Rio.
O que fazia Tarso Genro nas imediações?
Quem acompanhou o noticiário do Jornal da Band e do Jornal Nacional desta quinta-feira a noite, percebeu as cenas de violência com que manifestantes ligados ao PT, PCdoB, PSOL, PSTU e até do PDT, usaram para impedir a entrada dos militares da reserva que ingressaram na sede do Clube Militar, Rio, onde participaram de ato de apoio ao movimento militar de 64 que depôs o presidente João Goulart. Os manifestantes são provocadores fascio-comunistas do mesmo gênero dos que radicalizaram o regime em 1964, sem ter acumulado forças políticas e militares para enfrentar a reação dos militares e da sociedade.
Quem acompanhou o noticiário do Jornal da Band e do Jornal Nacional desta quinta-feira a noite, percebeu as cenas de violência com que manifestantes ligados ao PT, PCdoB, PSOL, PSTU e até do PDT, usaram para impedir a entrada dos militares da reserva que ingressaram na sede do Clube Militar, Rio, onde participaram de ato de apoio ao movimento militar de 64 que depôs o presidente João Goulart. Os manifestantes são provocadores fascio-comunistas do mesmo gênero dos que radicalizaram o regime em 1964, sem ter acumulado forças políticas e militares para enfrentar a reação dos militares e da sociedade.
O mais notável do ato desta sexta-feira para os gaúchos nem foi o cerco selvagem dos grupos agressivos e intolerantes da extrema esquerda, mas foi a repentina presença do governador Tarso Genro, que “casualmente” passava pelo local, conforme registro do jornal O Globo. Tarso Genro não se negou a falar aos jornalistas e jogar mais lenha na fogueira. Como se sabe, o ato provocador foi organizado e sua execução foi fiscalizada.
Leia este trecho da notícia desta sexta-feira de O Globo, que registra a presença de Tarso Genro (na agenda oficial do governador, não estava prevista nenhuma viagem dele ao Rio e no Palácio Piratini ninguém soube explicar o que ele fazia diante do Clube Militar na hora da manifestação):
No fim do evento, os militares ficaram acuados dentro do prédio e foram saindo aos poucos. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ex-ministro da Justiça, passou em frente à sede por causa de um outro evento. Ele considerou a comemoração dos militares uma provocação. Já o general Nilton Cerqueira, que comandou a operação que acabou na morte do ex-capitão Carlos Lamarca, em 1971, enfrentou os manifestantes.
Fonte: Políbio Braga online, 29 de março 2012
Assessora de Hillary Clinton falará com Fortunati esta tarde
O prefeito José Fortunati recebeu nesta quinta-feira a visita da
assessora sênior para projetos especiais do governo dos Estados Unidos.
. Reta Jo Lewis está em Porto Alegre para avaliar propostas de cooperação com os setores público e privado entre os dois países. Estreitar relações entre os EUA e a Capital também está na pauta.
. A norte-americana responde diretamente à secretária de Estado Hillary Clinton.
. Reta Jo Lewis está em Porto Alegre para avaliar propostas de cooperação com os setores público e privado entre os dois países. Estreitar relações entre os EUA e a Capital também está na pauta.
. A norte-americana responde diretamente à secretária de Estado Hillary Clinton.
Fonte: Políbio Braga online, 29 de março de 2012.
Moda Cosmopolita
Fonte: Zero Hora, 29 de março de 2012
O tempo e o Vento
| Millör Morreu Millôr Fernandes, o maior de todos nós, jornalistas brasileiros. Ensinou-nos que “imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Ou seja, afirmava que o jornalismo tem o dever de ser oposição a qualquer governo. Ele foi admirável nesse posicionamento porque foi o único que não aderiu nunca a qualquer governo, mesmo que simpatizasse com algum eventual governo e suas ideias. Deixa por isso um vazio impreenchível, desde que há sempre alguém que vá aderir ao governo de sua preferência ideológica. Dono de uma erudição invejável, não precisou trabalhar na Globo para se tornar muito popular. Seus fãs, como meu filho Jorge Antônio, tinham devoção por ele, cultuavam-no como a um deus. Ninguém como ele falou mais sério exercendo o humor. Obrigava seus leitores a pensar. Dizem que ele foi o mais eficiente tradutor de Shakespeare entre nós, o que por si já o define de certo modo, o bardo inglês foi mais abrangente que Freud ao vasculhar a alma humana. Tenho algumas máximas de Millôr Fernandes decoradas: “O melhor do sexo antes do casamento é você não ter que casar”. “Chama-se de herói o cara que não teve tempo de fugir”. “Um rato não pode ser juiz na partilha de um queijo”. “Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder”. São milhares as suas frases luminosas. Era dono de uma verve ilimitada, bastava descobrir no cotidiano ou na filosofia um fato ou uma evidência para adorná-lo com suas inteligentes e contraditórias observações. Foi cronista semanal admirável. E conseguiu ser ótimo cronista diário. Trabalhou em revistas, jornais, criou peças de teatro com invejável talento. Tenho uma coletânea de pensamentos seus de 600 páginas e nunca me fatiguei em relê-la, como a uma Bíblia. Nessa ânsia maniática que temos de organizar um ranking sobre o mérito das pessoas, fico tentado a dizer que ele foi o maior jornalista e maior humorista da história brasileira. Morreu há tempos Nelson Rodrigues, morreu há pouco Chico Anysio e agora morre Millôr Fernandes. Eles foram os pais de criação de sua geração. Tornaram-se exemplos e paradigmas inimitáveis, Millôr jogou sobre as multidões de leitores um jorro de luz e de beleza ofuscante. Não o conheci, mas sempre me pareceu que era meu íntimo. Minha meta era ser apenas 10% do que ele fora, tão grande ele era e é. Não tenho palavras para definir a falta que ele me fará, se é que me fará falta, porque sempre trarei na mesa ao lado de minha cama fragmentos de sua obra faiscante. Ainda bem que, em vida, muitas vezes aqui nesta coluna elogiei-o como agora o estou elogiando por sua morte. Ele foi meu profeta do humor e da inteligência. Ele foi o meu farol. E não precisou ser da Globo para se tornar um ícone nacional. Millôr, gigante pela própria natureza! Fonte: Paulo Sant'Ana, ZH 29 de março de 2012 |









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