Candidato do PRI declara vitória no México e é felicitado por Calderón
O candidato mexicano do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, declarou-se vitorioso nas eleições presidenciais de domingo (1º), com base em uma amostragem conhecida como contagem rápida dos votos.
Acompanhado por sua esposa, a atriz Angélica Rivera, ele afirmou em discurso que buscará a reconciliação e a união nacional e prometeu uma presidência "moderna e responsável". Disse ainda que vai continuar lutando contra o crime organizado, embora com uma nova estratégia para reduzir a violência e proteger a vida dos mexicanos, e que se esforçará para dar resposta às demandas legítimas da população, mas pediu unidade aos mexicanos para superar juntos os desafios que enfrenta o país.
"É momento de propiciar e encorajar a reconciliação nacional" e de "deixar de lado nossas diferenças e privilegiar nossas coincidências", falou.
Além disso, ele disse que impulsionará uma "renovada economia de livre mercado com sentido social que gere empregos e distribua a riqueza".
Peña Nieto também foi felicitado pelo presidente mexicano Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), mas o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), recusou-se a fazer qualquer pronunciamento até um anúncio oficial dos resultados da votação.
A contagem rápida --feita com base em uma amostra de 7.000 atas de registros de votos de 143 mil mesas eleitorais-- costuma ser um indicador confiável dos resultados das eleições mexicanas.
De acordo com essa estimativa, Peña Nieto teria entre 37,93% e 38,55% dos votos e Obrador entre 30,09% e 31,86%. Josefina Vázquez Mota, candidata do PAN, de Calderón, teria obtido entre 25,10% e 26,03% dos votos.
A chamada "contagem rápida", divulgada pelo Instituto Federal Eleitoral (IFE), tem uma margem de erro de 0,5%, informou o presidente do órgão, Leonardo Valdés. Segundo ele, em mensagem em rede nacional, a participação no pleito foi superior a 62% e mais de 49 milhões de pessoas votaram. "A eleição de hoje é a que mais votos recebeu na história do México", disse.
Obrador, no entanto, afirmou que os dados das eleições divulgados até agora não coincidem com os seus e disse que vai esperar pelos resultados oficiais. O candidato da esquerda mexicana, que não reconheceu sua derrota nas últimas eleições presidenciais, em 2006, emitiu sua mensagem segundos depois que dados do IFE indicaram que ele tinha perdido as eleições deste domingo.
Segundo ele, "há um processo legal estabelecido que consiste em realizar uma apuração. E na próxima quarta-feira deve-se revisar todas as atas e conhecer os resultados". "A informação que nós temos indica outra coisa", acrescentou, sem detalhar que dados possui e qual divergência pode haver com os divulgados pelo presidente do IFE.
Calderón
Calderón felicitou neste domingo Peña Nieto por sua vitória nas eleições presidenciais e manifestou sua mais "absoluta disposição" para que se dê uma transição ordenada, transparente e eficaz.
Fonte: UOL Notícias
O candidato mexicano do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, declarou-se vitorioso nas eleições presidenciais de domingo (1º), com base em uma amostragem conhecida como contagem rápida dos votos.
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| Foto: divulgação |
Acompanhado por sua esposa, a atriz Angélica Rivera, ele afirmou em discurso que buscará a reconciliação e a união nacional e prometeu uma presidência "moderna e responsável". Disse ainda que vai continuar lutando contra o crime organizado, embora com uma nova estratégia para reduzir a violência e proteger a vida dos mexicanos, e que se esforçará para dar resposta às demandas legítimas da população, mas pediu unidade aos mexicanos para superar juntos os desafios que enfrenta o país.
"É momento de propiciar e encorajar a reconciliação nacional" e de "deixar de lado nossas diferenças e privilegiar nossas coincidências", falou.
Além disso, ele disse que impulsionará uma "renovada economia de livre mercado com sentido social que gere empregos e distribua a riqueza".
Peña Nieto também foi felicitado pelo presidente mexicano Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), mas o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), recusou-se a fazer qualquer pronunciamento até um anúncio oficial dos resultados da votação.
A contagem rápida --feita com base em uma amostra de 7.000 atas de registros de votos de 143 mil mesas eleitorais-- costuma ser um indicador confiável dos resultados das eleições mexicanas.
De acordo com essa estimativa, Peña Nieto teria entre 37,93% e 38,55% dos votos e Obrador entre 30,09% e 31,86%. Josefina Vázquez Mota, candidata do PAN, de Calderón, teria obtido entre 25,10% e 26,03% dos votos.
A chamada "contagem rápida", divulgada pelo Instituto Federal Eleitoral (IFE), tem uma margem de erro de 0,5%, informou o presidente do órgão, Leonardo Valdés. Segundo ele, em mensagem em rede nacional, a participação no pleito foi superior a 62% e mais de 49 milhões de pessoas votaram. "A eleição de hoje é a que mais votos recebeu na história do México", disse.
Obrador, no entanto, afirmou que os dados das eleições divulgados até agora não coincidem com os seus e disse que vai esperar pelos resultados oficiais. O candidato da esquerda mexicana, que não reconheceu sua derrota nas últimas eleições presidenciais, em 2006, emitiu sua mensagem segundos depois que dados do IFE indicaram que ele tinha perdido as eleições deste domingo.
Segundo ele, "há um processo legal estabelecido que consiste em realizar uma apuração. E na próxima quarta-feira deve-se revisar todas as atas e conhecer os resultados". "A informação que nós temos indica outra coisa", acrescentou, sem detalhar que dados possui e qual divergência pode haver com os divulgados pelo presidente do IFE.
Calderón
Calderón felicitou neste domingo Peña Nieto por sua vitória nas eleições presidenciais e manifestou sua mais "absoluta disposição" para que se dê uma transição ordenada, transparente e eficaz.
Fonte: UOL Notícias
Número de presos volta a crescer em cadeias do Estado
Após registrar queda no ano passado, a quantidade de pessoas recolhidas nos presídios gaúchos entra em curva ascendente
Depois de uma redução histórica no número de presos em 2011, a massa carcerária gaúcha retoma, em 2012, a curva ascendente registrada desde o início da década de 1990.
Levantamento da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) mostra que 29.713 presos estavam recolhidos em dezembro. O último mapa, de 13 de junho, aponta 30.053 apenados encarcerados (340 a mais).
Havia uma expectativa de que a redução do número de presos fosse tendência, mas uma série de fatores fez de 2011 um ano atípico, com episódios que não se repetem neste ano. Um deles é o mutirão carcerário, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça, que revisou penas e determinou benefícios a 2,3 mil presos – a maioria com direito de ir para casa.
Também no âmbito do Judiciário, a Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, diante do caos nos albergues por falta de vagas, ordenou que cerca de 2 mil presos do regime aberto cumprissem prisão domiciliar. Pelo Interior, situações semelhantes propiciaram que apenados do aberto também fossem mandados para casa.
Na opinião do juiz Sidinei Brzuska, da VEC, o problema só não é maior porque as fugas do semiaberto acabam, na prática, gerando vagas no sistema prisional:
– Esse aumento preocupa, pois já faltam vagas. É mais um problema de um sistema prisional que há muito tempo se tornou refém das fugas. Nós temos 13 mil presos na Região Metropolitana, sendo que, em três anos, fugiram dele 12 mil detentos.
Outras situações ajudam a explicar a redução de presos em 2011. Uma delas: a adoção da prisão seletiva, determinada pela Secretaria da Segurança Pública, em nome de uma repressão mais qualificada, com foco na capturas de líderes de quadrilhas e bandidos mais perigosos.
Ao mesmo tempo que a medida foi sendo implementada, as recapturas de foragidos da Justiça despencaram. De 2010 para 2011, o número de fugitivos reconduzidos para as cadeias pelas polícias Civil e Militar reduziu 35%.
Média diária de recapturas cresceu 58,4% em 2012
Em 2012, tanto a concessão da prisão domiciliar quanto o volume de prisões foram alterados. O Tribunal de Justiça do Estado (TJ), ao julgar recursos do Ministério Público, mandou retornar para albergues uma parte significativa de apenados do regime aberto que estava em casa. E a própria VEC da Capital passou a adotar critérios mais rigorosos para conceder o benefício. Além disso, as polícias Civil e Militar estão mais ágeis. A média diária de recapturas cresceu 58,4%.
Para o promotor Gilmar Bortolotto, fiscal dos presídios na Região Metropolitana, o aumento se deve ao crescimento vegetativo da massa prisional, com a volta de um fluxo natural de presos no sistema prisional.
Na Susepe, o aumento não é visto com preocupação. Segundo a assessoria de imprensa, não é prevista nenhuma ação emergencial para ampliação, já que 672 vagas devem ser abertas com a entrada em funcionamento da penitenciária de Arroio dos Ratos em agosto.
Fonte: Zero Hora, 19 de junho de 2012
Após registrar queda no ano passado, a quantidade de pessoas recolhidas nos presídios gaúchos entra em curva ascendente
Depois de uma redução histórica no número de presos em 2011, a massa carcerária gaúcha retoma, em 2012, a curva ascendente registrada desde o início da década de 1990.
Levantamento da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) mostra que 29.713 presos estavam recolhidos em dezembro. O último mapa, de 13 de junho, aponta 30.053 apenados encarcerados (340 a mais).
Havia uma expectativa de que a redução do número de presos fosse tendência, mas uma série de fatores fez de 2011 um ano atípico, com episódios que não se repetem neste ano. Um deles é o mutirão carcerário, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça, que revisou penas e determinou benefícios a 2,3 mil presos – a maioria com direito de ir para casa.
Também no âmbito do Judiciário, a Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, diante do caos nos albergues por falta de vagas, ordenou que cerca de 2 mil presos do regime aberto cumprissem prisão domiciliar. Pelo Interior, situações semelhantes propiciaram que apenados do aberto também fossem mandados para casa.
Na opinião do juiz Sidinei Brzuska, da VEC, o problema só não é maior porque as fugas do semiaberto acabam, na prática, gerando vagas no sistema prisional:
– Esse aumento preocupa, pois já faltam vagas. É mais um problema de um sistema prisional que há muito tempo se tornou refém das fugas. Nós temos 13 mil presos na Região Metropolitana, sendo que, em três anos, fugiram dele 12 mil detentos.
Outras situações ajudam a explicar a redução de presos em 2011. Uma delas: a adoção da prisão seletiva, determinada pela Secretaria da Segurança Pública, em nome de uma repressão mais qualificada, com foco na capturas de líderes de quadrilhas e bandidos mais perigosos.
Ao mesmo tempo que a medida foi sendo implementada, as recapturas de foragidos da Justiça despencaram. De 2010 para 2011, o número de fugitivos reconduzidos para as cadeias pelas polícias Civil e Militar reduziu 35%.
Média diária de recapturas cresceu 58,4% em 2012
Em 2012, tanto a concessão da prisão domiciliar quanto o volume de prisões foram alterados. O Tribunal de Justiça do Estado (TJ), ao julgar recursos do Ministério Público, mandou retornar para albergues uma parte significativa de apenados do regime aberto que estava em casa. E a própria VEC da Capital passou a adotar critérios mais rigorosos para conceder o benefício. Além disso, as polícias Civil e Militar estão mais ágeis. A média diária de recapturas cresceu 58,4%.
Para o promotor Gilmar Bortolotto, fiscal dos presídios na Região Metropolitana, o aumento se deve ao crescimento vegetativo da massa prisional, com a volta de um fluxo natural de presos no sistema prisional.
Na Susepe, o aumento não é visto com preocupação. Segundo a assessoria de imprensa, não é prevista nenhuma ação emergencial para ampliação, já que 672 vagas devem ser abertas com a entrada em funcionamento da penitenciária de Arroio dos Ratos em agosto.
Fonte: Zero Hora, 19 de junho de 2012
A razão de Erundina
Brasília: Carolina Bahia / Zero Hora
Luiza Erundina honrou o seu passado e as saias que veste. Irritada com a desconfortável parceria entre Lula e Paulo Maluf, simplesmente abandonou o posto de vice na chapa de Fernando Haddad.
O governador Eduardo Campos e demais líderes se mobilizaram para convencê-la do contrário, mas a deputada não quis fazer de conta que está tudo bem.
Com histórico na militância petista, do tempo em que o combate a figuras como Maluf fazia parte das bandeiras do partido, ela não compactua com o vale-tudo em troca de 1 minuto e 35 segundos de TV.
O problema não é a chapa com o PP, partido da base do governo Dilma. O que pesa é o significado do malufismo e o abraço a um político que virou sinônimo de corrupção.
Em tempos de alianças esdrúxulas, de fim de ideologias e de um pragmatismo exagerado, Erundina age com bom senso. Um dia, a presidente Dilma disse que só Lula pode tudo. Luiza Erundina não concorda.
Dilma destaca crise mundial em discurso
A economia mundial enfrenta a mais frave desde a 2.ª Guerra Mundial e importantes nações estão em ritmo mais lento, quando não estão em recessão. A advertência fez parte do discurso da presente Dilma Rousseff na abertura oficial da Rio+20 ontem.
A presidente cobrou políticas de ajuste que atinjam "as partes mais frágeis da sociedade" e criticou os modelos de desenvolvimento:
- São modelos de desenvolvimento que esgotaram a capacidade de responder aos desafios contemporâneos.
Dilma cobrou políticas indutoras de crescimento e emprego como a única via segura para o crescimento da economia e disse estar consciente de que a recuperação, para ser estável, tem de ser global. Segundo a presidente, é forte a tentação de tornar absolutos os interesses nacionais na resolução de crises.
Na avaliação de Dilma, o Brasil tem avançado com o modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão e justiça social. Ela destacou que, nos últimos anos, 40 milhões de pobres ascenderam à classe média e 18 milhões de empregos foram criados, com expansão da renda dos trabalhadores.
- Temos mantido matriz energética limpa e nossas fontes renováveis representam 45% da energia que consumimos - disse.
De acordo com a presidente, mais de 80% da cobertura da floresta amazônica está preservada. Dilma ressaltou ainda que o Brasil é uma potência agrícola que tem ampliado em mais de 180% a área plantada com tecnologias e insumos eficientes.
Gaúcho da Capital, deputado francês
Eduardo Cypel tornou-se o primeiro franco-brasileiro a conquistar uma cadeira na Assembleia Nacional do país
Mesmo que as próximas eleições no Brasil sejam municipais e que faltem mais de dois anos para serem eleitos novos deputados estaduais e federais brasileiros, um gaúcho de Porto Alegre foi eleito parlamentar no último domingo.
Detalhe: isso ocorreu bem longe do Brasil.
Confira trechos da sua entrevista a Zero Hora:
Zero Hora — Que laços o sr. guarda com o Rio Grande do Sul?
Eduardo Cypel — Adoro uma picanha. Mate só tomo quando tem erva — o que aqui, infelizmente, a gente não encontra com facilidade. São essas as coisas que relembram minha infância gaúcha.
ZH — O que significa a vitória dos socialistas na França?
Cypel — Significa, antes de tudo, uma vontade de mudança. A gente conseguiu convencer a maioria do povo francês a concretizar, através do voto, essa mudança tão esperada.
ZH — Como está o clima no país?
Cypel — O pessoal tem expectativa para ver a bola rolar no nosso campo. Nós temos que jogar o jogo para levantar o país e, consequentemente, a Europa.
ZH — De que forma conseguirão implementar todas as reformas propostas por Hollande?
Cypel — Agora é hora de trabalhar para que, através do fortalecimento do emprego, da ajuda às empresas e dos investimentos na educação, as nossas metas sejam realizadas. Nós fomos eleitos por este projeto e é ele que colocaremos em prática.
ZH — Quais as propostas defendidas durante a sua campanha?
Cypel — Educação, emprego, saúde, transporte e habitação, com justiça.
ZH — Quais suas prioridades?
Cypel — A questão do emprego é fundamental. O desemprego atinge 10% da população na França. Destes, 25% são jovens desempregados.
ZH — E o esforço para fortalecer as relações Brasil-França?
Cypel — Vou fazer o que puder. O conhecimento de Brasil e de França que tenho permite que eu traga um olhar forte e preciso dos dois lados.
ZH — O sr. vem muito ao Brasil?
Cypel — Sempre que posso. Como estive concentrado nas eleições, não visitei o país, mas tento ir anualmente.
ZH — E agora será mais fácil?
Cypel — Talvez eu encontre um momento oportuno como parlamentar francês. Irei na primeira oportunidade oficial que tiver. É muito importante continuar reforçando esse eixo França-Brasil. E tem ainda o lado pessoal, toda a minha família é do Rio Grande do Sul, apenas meu pai, minha mãe e meus dois irmãos estão morando na França.
Fonte: Zero Hora
CRÍTICA DURA DA MÍDIA INTERNACIONAL
O pessimismo é a marca da cobertura Internacional sobre a Rio+20. Confira:
Um dos mais importantes diários britânicos, o The Guardian enviou o repórter Jonathan Watts ao Rio. E colocou, em material de capa, a chamada Ban Ki-Moon convoca líderes mundiais a agir pela sustentabilidade. O periódico destaca que o secretário-geral da ONU considera que a carta de intenções da Rio+20 será “um mero pedaço de papel” se os líderes não agirem.
O diário conservador francês Le Figaro publicou chamada na capa com o título Brasil, um líder sem influência do Rio+20. A reportagem diz que a diplomacia brasileira está desesperada para costurar um acordo, mas se mostrou incapaz de assumir o papel de liderança esperado. O documento foi considerado pelas delegações da União Europeia “desprovido de ambição”.
O diário francês Le Monde conclui que “não há muito a esperar”. O periódico destaca a falta de consenso político entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os políticos da ONU teriam optado por destacar temas da moda, como o aquecimento global e a economia verde, em vez de se concentrar em pontos mais importantes, como a poluição do ar e da água.
O New York Times, que deu espaço interno e não grande para o encontro, destacou a ausência de pesos-pesados da política no encontro de chefes de Estado no Rio, como o estadunidense Barack Obama, o britânico David Cameron e a alemã Angela Merkel, “mais preocupados com as suas políticas nacionais e a desordem financeira que prevalece na Europa”.
O jornal The Washington Post publicou uma reportagem cuja manchete é Enquanto a cúpula do Rio discute, estadunidenses assistem ao meio ambiente se deteriorar. Pesquisa feita pelo jornal mostra que seis em cada 10 norte-americanos acreditam que a humanidade piorou as condições do ambiente. O jornal considera que a Rio+20 produziu “pouca substância e compromissos abstratos”.
A conservadora rede de televisão dos EUA Fox News Chanel não deu importância à conferência. Limitou-se a reproduzir, em seu site, notícia da agência Associated Press intitulada Grande cúpula de meio ambiente da ONU é aberta no Rio. A notícia destaca que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, considera tímidos os avanços no meio ambiente.
Franco Barón, enviado especial de El Pais ao Rio de Janeiro pelo importante diário espanhol, fez uma série de reportagens, com destaque para a “inexistência de avanços” na cúpula no Brasil. O jornalista afirma que as 49 página do documento final elaborado na última terça-feira não mostram passos decisivos para proteção dos oceanos ou financiamento de políticas de desenvolvimento sustentável.
Fonte: Zero Hora
Desencontros, por Luis Fernando Veríssimo
Me desencontrei algumas vezes com ele. Quando cheguei no Rio em 1962 — sem emprego, sem dinheiro, sem perspectivas, mas com amigos — a Clarice Lispector se ofereceu para marcar um encontro meu com ele. Talvez houvesse algo para mim na agência em que ele trabalhava — ou dirigia, não me lembro mais. Também não me lembro se cheguei a falar com ele por telefone. Acho que não, e que nunca sequer ouvi a voz do Ivan Lessa. De qualquer maneira, o encontro não aconteceu.
Depois, na minha convivência esporádica com o Millor, o Jaguar, o Ziraldo, o Tarso e outros na época do “Pasquim”, por alguma razão o Ivan nunca apareceu. Estava sempre para chegar ou tinha acabado de sair. Anos mais tarde um grupo foi convidado a ir a Portugal — Millor, os Caruso, Aroeira, eu e outros — para uma exposição de cartuns, se não me falha de novo a memória. Estávamos hospedados num hotel de Estoril e foi anunciado que o Ivan Lessa, que vivia em Londres, estava na terra, onde vivia sua mãe, e iria se encontrar conosco no hotel.
Finalmente, pensei. O mito vai virar gente e eu vou poder conhecê-lo e dizer como o admiro. Mas me convocaram para uma entrevista ou coisa parecida em Lisboa justamente na hora da visita dele. Foi nosso último desencontro. Agora não tem jeito. Fiquei só com o mito.
CHEGA
O Ivan Lessa pouco depois do Millor... Este está sendo, definitivamente, um ano mal-humorado.
REALPOLITIKAGEM
“Realpolitik” é um termo conveniente para desculpar o baixo oportunismo, contradições ideológicas e calhordice em geral. O termo nasceu na Alemanha e tem uma longa história, sendo invocado sempre que um acordo ou um arranjo politico agride o bom-senso ou a moral. Há uma graduação na “realpolitik” que vai do tolerável (uma acomodação com o vizinho do lado para assegurar a paz no prédio, mesmo tendo que aceitar o cachorro) ao indefensável (o pacto Stalin/Hitler no começo da Segunda Guerra Mundial, por exemplo). É difícil saber onde colocar o pacto Lula/Maluf nessa escala. O hipotético acordo com o vizinho é um sacrifício pelo entendimento e o Stalin estava tentando ganhar tempo até ter um exército. No acordo com o Maluf trocou-se uma história e uma coerência por um minuto e pouco a mais de espaço para o candidato do PT na TV. Ó Lula!
Fonte: Zero Hora, 21 de junho de 2012
Brasília: Carolina Bahia / Zero Hora
Luiza Erundina honrou o seu passado e as saias que veste. Irritada com a desconfortável parceria entre Lula e Paulo Maluf, simplesmente abandonou o posto de vice na chapa de Fernando Haddad.
O governador Eduardo Campos e demais líderes se mobilizaram para convencê-la do contrário, mas a deputada não quis fazer de conta que está tudo bem.
Com histórico na militância petista, do tempo em que o combate a figuras como Maluf fazia parte das bandeiras do partido, ela não compactua com o vale-tudo em troca de 1 minuto e 35 segundos de TV.
O problema não é a chapa com o PP, partido da base do governo Dilma. O que pesa é o significado do malufismo e o abraço a um político que virou sinônimo de corrupção.
Em tempos de alianças esdrúxulas, de fim de ideologias e de um pragmatismo exagerado, Erundina age com bom senso. Um dia, a presidente Dilma disse que só Lula pode tudo. Luiza Erundina não concorda.
Dilma destaca crise mundial em discurso
A economia mundial enfrenta a mais frave desde a 2.ª Guerra Mundial e importantes nações estão em ritmo mais lento, quando não estão em recessão. A advertência fez parte do discurso da presente Dilma Rousseff na abertura oficial da Rio+20 ontem.
A presidente cobrou políticas de ajuste que atinjam "as partes mais frágeis da sociedade" e criticou os modelos de desenvolvimento:
- São modelos de desenvolvimento que esgotaram a capacidade de responder aos desafios contemporâneos.
Dilma cobrou políticas indutoras de crescimento e emprego como a única via segura para o crescimento da economia e disse estar consciente de que a recuperação, para ser estável, tem de ser global. Segundo a presidente, é forte a tentação de tornar absolutos os interesses nacionais na resolução de crises.
Na avaliação de Dilma, o Brasil tem avançado com o modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão e justiça social. Ela destacou que, nos últimos anos, 40 milhões de pobres ascenderam à classe média e 18 milhões de empregos foram criados, com expansão da renda dos trabalhadores.
- Temos mantido matriz energética limpa e nossas fontes renováveis representam 45% da energia que consumimos - disse.
De acordo com a presidente, mais de 80% da cobertura da floresta amazônica está preservada. Dilma ressaltou ainda que o Brasil é uma potência agrícola que tem ampliado em mais de 180% a área plantada com tecnologias e insumos eficientes.
Gaúcho da Capital, deputado francês
Eduardo Cypel tornou-se o primeiro franco-brasileiro a conquistar uma cadeira na Assembleia Nacional do país
Mesmo que as próximas eleições no Brasil sejam municipais e que faltem mais de dois anos para serem eleitos novos deputados estaduais e federais brasileiros, um gaúcho de Porto Alegre foi eleito parlamentar no último domingo.
Detalhe: isso ocorreu bem longe do Brasil.
Confira trechos da sua entrevista a Zero Hora:
Zero Hora — Que laços o sr. guarda com o Rio Grande do Sul?
Eduardo Cypel — Adoro uma picanha. Mate só tomo quando tem erva — o que aqui, infelizmente, a gente não encontra com facilidade. São essas as coisas que relembram minha infância gaúcha.
ZH — O que significa a vitória dos socialistas na França?
Cypel — Significa, antes de tudo, uma vontade de mudança. A gente conseguiu convencer a maioria do povo francês a concretizar, através do voto, essa mudança tão esperada.
ZH — Como está o clima no país?
Cypel — O pessoal tem expectativa para ver a bola rolar no nosso campo. Nós temos que jogar o jogo para levantar o país e, consequentemente, a Europa.
ZH — De que forma conseguirão implementar todas as reformas propostas por Hollande?
Cypel — Agora é hora de trabalhar para que, através do fortalecimento do emprego, da ajuda às empresas e dos investimentos na educação, as nossas metas sejam realizadas. Nós fomos eleitos por este projeto e é ele que colocaremos em prática.
ZH — Quais as propostas defendidas durante a sua campanha?
Cypel — Educação, emprego, saúde, transporte e habitação, com justiça.
ZH — Quais suas prioridades?
Cypel — A questão do emprego é fundamental. O desemprego atinge 10% da população na França. Destes, 25% são jovens desempregados.
ZH — E o esforço para fortalecer as relações Brasil-França?
Cypel — Vou fazer o que puder. O conhecimento de Brasil e de França que tenho permite que eu traga um olhar forte e preciso dos dois lados.
ZH — O sr. vem muito ao Brasil?
Cypel — Sempre que posso. Como estive concentrado nas eleições, não visitei o país, mas tento ir anualmente.
ZH — E agora será mais fácil?
Cypel — Talvez eu encontre um momento oportuno como parlamentar francês. Irei na primeira oportunidade oficial que tiver. É muito importante continuar reforçando esse eixo França-Brasil. E tem ainda o lado pessoal, toda a minha família é do Rio Grande do Sul, apenas meu pai, minha mãe e meus dois irmãos estão morando na França.
Fonte: Zero Hora
CRÍTICA DURA DA MÍDIA INTERNACIONAL
O pessimismo é a marca da cobertura Internacional sobre a Rio+20. Confira:
Um dos mais importantes diários britânicos, o The Guardian enviou o repórter Jonathan Watts ao Rio. E colocou, em material de capa, a chamada Ban Ki-Moon convoca líderes mundiais a agir pela sustentabilidade. O periódico destaca que o secretário-geral da ONU considera que a carta de intenções da Rio+20 será “um mero pedaço de papel” se os líderes não agirem.
O diário conservador francês Le Figaro publicou chamada na capa com o título Brasil, um líder sem influência do Rio+20. A reportagem diz que a diplomacia brasileira está desesperada para costurar um acordo, mas se mostrou incapaz de assumir o papel de liderança esperado. O documento foi considerado pelas delegações da União Europeia “desprovido de ambição”.
O diário francês Le Monde conclui que “não há muito a esperar”. O periódico destaca a falta de consenso político entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os políticos da ONU teriam optado por destacar temas da moda, como o aquecimento global e a economia verde, em vez de se concentrar em pontos mais importantes, como a poluição do ar e da água.
O New York Times, que deu espaço interno e não grande para o encontro, destacou a ausência de pesos-pesados da política no encontro de chefes de Estado no Rio, como o estadunidense Barack Obama, o britânico David Cameron e a alemã Angela Merkel, “mais preocupados com as suas políticas nacionais e a desordem financeira que prevalece na Europa”.
O jornal The Washington Post publicou uma reportagem cuja manchete é Enquanto a cúpula do Rio discute, estadunidenses assistem ao meio ambiente se deteriorar. Pesquisa feita pelo jornal mostra que seis em cada 10 norte-americanos acreditam que a humanidade piorou as condições do ambiente. O jornal considera que a Rio+20 produziu “pouca substância e compromissos abstratos”.
A conservadora rede de televisão dos EUA Fox News Chanel não deu importância à conferência. Limitou-se a reproduzir, em seu site, notícia da agência Associated Press intitulada Grande cúpula de meio ambiente da ONU é aberta no Rio. A notícia destaca que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, considera tímidos os avanços no meio ambiente.
Franco Barón, enviado especial de El Pais ao Rio de Janeiro pelo importante diário espanhol, fez uma série de reportagens, com destaque para a “inexistência de avanços” na cúpula no Brasil. O jornalista afirma que as 49 página do documento final elaborado na última terça-feira não mostram passos decisivos para proteção dos oceanos ou financiamento de políticas de desenvolvimento sustentável.
Fonte: Zero Hora
Desencontros, por Luis Fernando Veríssimo
Me desencontrei algumas vezes com ele. Quando cheguei no Rio em 1962 — sem emprego, sem dinheiro, sem perspectivas, mas com amigos — a Clarice Lispector se ofereceu para marcar um encontro meu com ele. Talvez houvesse algo para mim na agência em que ele trabalhava — ou dirigia, não me lembro mais. Também não me lembro se cheguei a falar com ele por telefone. Acho que não, e que nunca sequer ouvi a voz do Ivan Lessa. De qualquer maneira, o encontro não aconteceu.
Depois, na minha convivência esporádica com o Millor, o Jaguar, o Ziraldo, o Tarso e outros na época do “Pasquim”, por alguma razão o Ivan nunca apareceu. Estava sempre para chegar ou tinha acabado de sair. Anos mais tarde um grupo foi convidado a ir a Portugal — Millor, os Caruso, Aroeira, eu e outros — para uma exposição de cartuns, se não me falha de novo a memória. Estávamos hospedados num hotel de Estoril e foi anunciado que o Ivan Lessa, que vivia em Londres, estava na terra, onde vivia sua mãe, e iria se encontrar conosco no hotel.
Finalmente, pensei. O mito vai virar gente e eu vou poder conhecê-lo e dizer como o admiro. Mas me convocaram para uma entrevista ou coisa parecida em Lisboa justamente na hora da visita dele. Foi nosso último desencontro. Agora não tem jeito. Fiquei só com o mito.
CHEGA
O Ivan Lessa pouco depois do Millor... Este está sendo, definitivamente, um ano mal-humorado.
REALPOLITIKAGEM
“Realpolitik” é um termo conveniente para desculpar o baixo oportunismo, contradições ideológicas e calhordice em geral. O termo nasceu na Alemanha e tem uma longa história, sendo invocado sempre que um acordo ou um arranjo politico agride o bom-senso ou a moral. Há uma graduação na “realpolitik” que vai do tolerável (uma acomodação com o vizinho do lado para assegurar a paz no prédio, mesmo tendo que aceitar o cachorro) ao indefensável (o pacto Stalin/Hitler no começo da Segunda Guerra Mundial, por exemplo). É difícil saber onde colocar o pacto Lula/Maluf nessa escala. O hipotético acordo com o vizinho é um sacrifício pelo entendimento e o Stalin estava tentando ganhar tempo até ter um exército. No acordo com o Maluf trocou-se uma história e uma coerência por um minuto e pouco a mais de espaço para o candidato do PT na TV. Ó Lula!
Fonte: Zero Hora, 21 de junho de 2012
DILMA ROUSSEFF
Sobre a crise global, invocando o personagem Sobrenatural de Almeida, de Nelson Rodrigues
"Existe um personagem que chamo de 'inexorável da Silveira'. As coisas não são do jeito que queremos."
Fonte: ZH, 24 de junho de 2012
Continente sob risco de contágio
O Paraguai, país sem saída para o mar, com seus 6,5 milhões de habitantes, histórico de golpes, tradição de economia informal e pobreza generalizada, deixa desde a última quinta-feira todo o sul da América sobressaltado. Motivo: o impeachment do presidente Fernando Lugo pode provocar o que os cientistas políticos costumam chamar de efeito dominó nas instituições e insegurança jurúdica para a economia da região.
- Uma instabilidade desse tipo na vizinhança nunca é bom. Todos esperam que o Brasil seja o elemento estabilizador da região. A todo momento, o governo brasileiro destaca que a América Latina vive um momento mais democrático e estável. Os episódios no Paraguai mostram que a instabilidade política é um elemento ainda muito presente na vizinhança. Isso não é bom para a nossa região, gera preocupações - diz o cientista político Marcelo Coutinhom autor dos livros Crises Institucionais e Mudança Política na América do Sul e A Agenda Sul-Americana: Mudanças e Desafios no Início do Século XXI.
Esse contexto analisado acima gera preocupações, nas palavras do analista, "em particular para o Brasil". Por quê? Coutinho explica:
- Temos lá os chamados brasiguaios (brasileiros que vivem no Paraguai), problemas de fronteira, o Paraguai é um país pequeno mas importante para o Mercosul. Enfim, não é nada bom para o Brasil.
A instabilidade na região e a quebra de princípios democráticos, na visão de especialistas, reporta a uma memória de institucionalidade frágil, e isso pode afetar investimentos. O caso da Bolívia é o mais lembrado. Vive uma instabilidade política há mais de um ano, envolvendo greves no setor de segurança pública. O exemplo paraguaio pode ser explosivo.
- A Bolívia é o principal candidato ao contágio - alerta o cientista político.
Nem todos, porém, pensam assim. Na opinião de Wagner Weber, do Centro Empresarial Brasil-Paraguai, o processo de impeachment no Paraguai, pode ser legal, reforça a democracia.
- O Brasil é o maior beneficiado. Lugo assumiu o governo sem planos e transformou temas populistas em planos de governo. Os exemplos são a renegociação do acordo de Itaipu e a reomada das terras dos brasiguaios - afirma.
A hidrelética binacional de Itaipu, aliás, é vista por analistas como intocável. O que se coloca em questão é a cláusula democrática do Mercosul - requisito para integrar o bloco regional. Líderes sul-americanos amealçam isolar o Paraguai, situação vivida por Honduras quando o país centro-americano viveu o afastamento presidente Manuel Zelaya. Em relação ao Paraguai, a Venezuela ameaça suspender a provisão de petróleo. Assim como o Equador, Argentina e Bolívia, o país de Hugo Chávez já avisou que não reconhece o novo presidente. O Brasil cogita sanções. E assim vai.
Fonte: Zero Hora, 23 de junho de 2012
ECO VERDE
Sono profundo e a vitória da diplomacia
Os discursos mais esperados da Conferência Rio+20 - os derradeiros - foram tão desmotivantes que nem os próprios debatedores tiveram ânimo para assisti-los. Durante a reunião final entre os chefes de Estado, por volta das 20h de sexta-feira, um representante asiático cochilou enquanto seu colega falava sobre o futuro comum. O assunto estava tão bom que deu até sono.
Após o término da sonolenta conversa, com o documento em mãos, as discussões travadas na Rio+20 saem do nível de quem decide para o nível de quem executa. E aí é que se saberá se a conferência foi efetiva ou não.
De maneira geral, as expectativas são baixas. Não é o pessimismo que permite essa afirmação, mas a recuperação histórica dos fatos. Há 20 anos, o término da Eco92 levou a sociedade a criticar, da mesma maneira que hoje, as decisões tomadas por seus líderes. Manchetes e coberturas jornalísticas da época permitem comparar isso.
A época era outra. Não estive lá, mas imagino que não havia telões em LCD, aplicativos para celular com a programação da conferência, nem o acesso tecnológico que permitisse a participação ativa da sociedade.
Falo aí de um aspecto em que o evento triunfou. Nestes quase dez dias em que ocorreu, a Rio+20 fez eco nos quatro cantos do planeta. A presença de mais de 2 mil jornalistas nas inúmeras salas de imprensa doevento assegura que, pelo viés positivo ou negativo, as pessoas ao redor do mundo falaram ou ouviram falar sobre a sustentabilidade. Já é um avanço.
Sobre fracasso ou sucesso, depende muito de quem está vendo. Os interesses envolvidos são inúmeros e passam pelo crivo de setores mais diversos - da educação à agricultura, da arquitetura aos negócios, da mobilização social ao marketing verde. Envolve poder de decisão, de ação. Mas também envolve sensibilidade e reflexão.
Sono profundo e a vitória da diplomacia
Os discursos mais esperados da Conferência Rio+20 - os derradeiros - foram tão desmotivantes que nem os próprios debatedores tiveram ânimo para assisti-los. Durante a reunião final entre os chefes de Estado, por volta das 20h de sexta-feira, um representante asiático cochilou enquanto seu colega falava sobre o futuro comum. O assunto estava tão bom que deu até sono.
Após o término da sonolenta conversa, com o documento em mãos, as discussões travadas na Rio+20 saem do nível de quem decide para o nível de quem executa. E aí é que se saberá se a conferência foi efetiva ou não.
De maneira geral, as expectativas são baixas. Não é o pessimismo que permite essa afirmação, mas a recuperação histórica dos fatos. Há 20 anos, o término da Eco92 levou a sociedade a criticar, da mesma maneira que hoje, as decisões tomadas por seus líderes. Manchetes e coberturas jornalísticas da época permitem comparar isso.
A época era outra. Não estive lá, mas imagino que não havia telões em LCD, aplicativos para celular com a programação da conferência, nem o acesso tecnológico que permitisse a participação ativa da sociedade.
Falo aí de um aspecto em que o evento triunfou. Nestes quase dez dias em que ocorreu, a Rio+20 fez eco nos quatro cantos do planeta. A presença de mais de 2 mil jornalistas nas inúmeras salas de imprensa doevento assegura que, pelo viés positivo ou negativo, as pessoas ao redor do mundo falaram ou ouviram falar sobre a sustentabilidade. Já é um avanço.
Sobre fracasso ou sucesso, depende muito de quem está vendo. Os interesses envolvidos são inúmeros e passam pelo crivo de setores mais diversos - da educação à agricultura, da arquitetura aos negócios, da mobilização social ao marketing verde. Envolve poder de decisão, de ação. Mas também envolve sensibilidade e reflexão.
ESTRATÉGIA URUGUAIAGoverno cogita vender maconha
Medida busca controlar consumo de droga considerada leve para inibir o das pesadas, como a pasta base, semelhante ao crack - LÉO GERCHMANN
Na tentativa de inibir o tráfico de drogas pesadas, o governo do Uruguai resolveu assumir para si a comercialização das consideradas leves: atuará no varejo da maconha e controlará sua produção. O país terá um cadastro de consumidores que poderão comprar 40 cigarros de maconha mensalmente, em pontos de venda autorizados e com parte da arrecadação sendo destinada ao tratamento de viciados.
As ousadas medidas fazem parte de um pacote de 16 ações destinadas a combater a insegurança pública. O raciocínio do governo, segundo o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, é que o vício conduz aos mais diversos crimes. O controle do consumo de drogas leves, como a maconha, esvaziaria o tráfico de drogas mais pesadas, como a “pasta base”, um derivado da cocaína semelhante ao crack.
Já hoje, o consumo e o porte de maconha para uso pessoal não são penalizados no Uruguai. O que passará a ocorrer é o controle pelo Estado. No governo, há uma preocupação de esclarecer: não será o mesmo que um fumante ir à tabacaria comprar cigarros. Os pontos de venda serão rigorosamente controlados, assim como o cadastro dos consumidores – o que limita a novidade aos uruguaios.
O preço dos cigarros de maconha será tabelado pelo governo, levando em conta já o imposto destinado exclusivamente ao tratamento de viciados. Outra medida que serve como contraponto à liberalização: o Uruguai passará a internar compulsoriamente os viciados em cocaína e derivados. Bastará, para isso, a assinatura de um psiquiatra que defina o usuário como viciado. Equipes multidisciplinares de dois ministérios implementarão um programa para percorrer o país em busca de viciados adolescentes. Dois centros de tratamento para pessoas entre 16 a 24 anos serão criados.
Holanda serviu de inspiração para programa
O projeto, que ontem à noite seria apresentado ao parlamento uruguaio, foi estruturado com a participação direta do presidente José Mujica, a partir de anteprojeto criado por um grupo interdisciplinar de técnicos do governo que trabalhou durante meses e usou experiências internacionais. Um exemplo foi o da Holanda. E a constatação: normalmente, a legalização das drogas leves inibe as pesadas.
Plano contra a violência
- O governo uruguaio terá uma tabela de preços para a maconha, com um percentual a título de imposto destinado à recuperação de viciados. O objetivo é fazer com que o consumo de maconha iniba o da “pasta base”, uma espécie de crack, e a violência decorrente dela.
- A medida será destinada a maiores de 18 anos que se inscreverem em um cadastro.
- Serão vendidos pelo governo até 40 cigarros de maconha por mês por usuário. O cadastro se limitará a cidadãos uruguaios.
- Com 3,3 milhões de habitantes, estima-se em 150 mil o número de consumidores de maconha no Uruguai. Estudo da ONU mostra que, em 2010, um em cada quatro delitos cometidos por adolescentes se vincularam ao consumo de substâncias ilícitas e álcool. A taxa de homicídios no país aumentou em 75% nos primeiros cinco meses de 2012.
- Como candidato em 2009, Mujica ainda prometia priorizar o combate à droga, que, como o crack no Brasil, representa um flagelo para os jovens. O governo mantém a campanha “guerra à pasta base”.
Fonte: Zero Hora, 21 de junho de 2012
Marina Silva, a que perdeu o bonde... falando sobre a Rio+20
"O documento não atende às exigências da emergência que o planeta está vivendo. Ele não tem meios efetivos para implementacão das políticas de sustentabilidade na ausência do financiamento. Vamos adiar, mais uma vez, o inadiável", declarou durante visita ao Riocentro para participar de uma mesa de debates.
Para ela, a sociedade e a opinião pública internacional não podem, mais uma vez, chancelar o adiamento de algo que os ambientalistas esperam há 20 anos. "O documento não agrada a nenhum chefe de Estado, logo, é um consenso em cima do desagrado de todos", afirmou.
Marina também espera que os debates promovidos pela sociedade civil na Cúpula dos Povos e em diversas ações espalhadas pela cidade tenham sido mais interessantes que os debates políticos dentro dos pavilhões do Riocentro, local da Rio+20. "Os dois processos são interessantes. Do lado de fora se diz que é preciso decidir, e decidir com compromisso, e agir com urgência. E aqui, do lado de dentro, os que podem decidir responderam dizendo que é preciso adiar mais uma vez o compromisso", disse. Ainda assim, a ex-ministra fez um chamado aos líderes mundiais para quem olhem o que está ocorrendo do lado de fora.
"Se os que estão aqui dentro resolveram adiar o compromisso, os lá de fora devem dizer que o compromisso tem que ser assumido e vivido agora", declarou, pedindo a todos que continuem as discussões em suas escolas, universidades e mesmo dentro de casa. "A sociedade não tem mais tempo para fazer uma transição demorada como querem fazer. Se não temos meios para fazer uma ruptura, então temos que fazer uma mutação com toda sociedade, com ações transformadores. A única saída e esperança é que sejamos capazes de transformar o tecido econômico social e ambiental do nosso planeta", falou.
Sobre o papel que o jovem brasileiro deve desempenhar após a Rio+20, a senadora disse que é preciso que este continue a acreditar que é possível ter desenvolvimento econômico e proteger o meio ambiente, melhorando a qualidade de vida da população. "E começamos a criar os meios para isso quando apostamos em energia limpa, renovável e segura; quando reivindicamos educação de qualidade, que gere conhecimento, tecnologia e inovação para as transformações do século 21", afirmou ao lembrar que esses jovens a que se refere são os mesmos que se recusaram a aceitar o Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional no mês passado e que teve pontos vetados pela presidente Dilma Rousseff.
Sobre a Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.
Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento ingressou quarta-feira na etapa definitiva e mais importante. Até amanhã, ocorre no Riocentro o Segmento de Alto Nível da Rio+20, com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas.
Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não vieram ao Brasil, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo, que segue sofrendo críticas dos representantes mundiais. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.
Fonte: Terra Notícias


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